Programa ainda é uma novidade em Londrina Professora Rosy BernardinoDorico da Silva‘‘Os pequenos exibem com orgulho as novas lentes’’, segundo o depoimento de uma professora de Londrina Silvana Leão De Londrina Embora tenha apenas 40 mil habitantes, Ibiporã saiu na frente no que diz respeito à prevenção de problemas oculares e criou um programa exemplar, que funciona há mais de uma década (leia na página 1). Londrina, com seus quase 500 mil habitantes, só intensificou os trabalhos nesta área no ano passado, quando o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), lançou a campanha ‘‘Olho no Olho’’. ‘‘Há cerca de cinco anos nós iniciamos os testes de acuidade visual com alunos da rede pública, mas como os trabalhos não incluíam as consultas oftalmológicas, não havia grande integração por parte das escolas. A adesão efetiva só veio a partir da campanha do governo federal’’, afirma Mirian Csucsuly, responsável pela área de deficiência visual do setor de educação especial do Núcleo Regional de Educação (NRE). Para ela, os projetos na área de oftalmologia nunca evoluíram muito no município por falta de apoio sistemático da Secretaria de Saúde. ‘‘Agora, graças ao envolvimento do CBO, o trabalho está fluindo muito bem.’’ Mirian Csucsuly ressalta, porém, que pouco antes do lançamento da Campanha Olho no Olho, a Secretaria Municipal de Saúde passou a colaborar com a iniciativa no NRE facilitanto o encaminhamento às consultas com oftalmologistas. Deolinda Puzzo, coordenadora da campanha do MEC na Secretaria Municipal de Educação, concorda que a garantia de atendimento médico especializado e de compra dos óculos deu novo impulso à iniciativa. ‘‘Nós começamos a aplicar os testes há cerca de três anos, mas apenas encaminhávamos os resultados para os pais, que tinham que tomar providências por conta própria.’’ Os resultados do reforço dado pelo governo e CBO são visíveis nas salas de aula. Os pequenos, que antes esforçavam-se para enxergar a letra da professora no quadro negro e, em muitos casos, desistiam de frequentar a escola, exibem com orgulho as novas lentes. Isabela Marlei da Silva, 8 anos, recebeu os óculos há poucos dias e já sente a diferença: ‘‘Antes meu olho embaçava e enchia de água quando eu assistia televisão’’. Isabela faz parte do grupo de 20 alunos da Escola Municipal Leônidas Sobrinho Porto, no Jardim Leonor (zona norte de Londrina) que passaram a usar lentes corretivas depois de serem submetidos à consulta oftalmológica. A professora Rosy Ferreira Bernardino, coordenadora da campanha dentro da escola, resume a sensação sentida pelas crianças que tiveram o seu problema detectado: ‘‘Elas passam a ver o mundo de maneira diferente’’. Isto, segundo ela, reflete em todo o comportamento do aluno, mas principalmente no aprendizado.