Programa afasta mendigos das ruas
Programa implantado pela Prefeitura de Sarandi (7 km a leste de Maringá) em maio de 98 retirou das ruas todos os mendigos e pedintes profissionais da cidade. Antes, cerca de 200 mendigos perambulavam por Sarandi, que tem aproximadamente 70 mil habitantes, à cata de esmolas. Agora, a prefeitura oferece trabalho em troca do pagamento dos impostos, gás de cozinha e alimentos.
O Serviço Social da prefeitura, que funciona na Avenida Londrina, centro da cidade, atendia precariamente a cerca de 100 pessoas por dia que iam até lá em busca de dinheiro e alimentos. Sem condições de atender a todos, a ex-coordenadora de creches e hoje diretora do Serviço Social Cida da Betel, 39 anos, teve a idéia de propor a troca do favor pelo trabalho. Hoje, cerca de 54 pessoas de famílias carentes e que moram nos bairros da periferia estão na frente de trabalho, limpando bocas-de-lobo, varrendo as ruas, vigiando as 10 escolas, podando árvores e trabalhando no viveiro de mudas de Sarandi.
Cida criou uma tabela: a prefeitura paga R$ 7,00 por dia de trabalho (das 7 horas às 11 horas e das 13 horas às 17 horas). Se uma pessoa tem uma conta de água no valor de R$ 21,00, por exemplo, terá de trabalhar três dias para pagá-la. Aos poucos, os mendigos foram desaparecendo das ruas de Sarandi. De maio até ontem, Cida já atendeu a 2,4 mil famílias. É proibido trabalhar mais de 10 dias seguidos para não criar vínculo empregatício com a prefeitura.
O programa não tem burocracia: basta preencher uma ficha. O encaminhamento ao posto de serviço é feito pela própria Cida. Ela recebe diariamente informações dos diversos departamentos da prefeitura que mostram onde está havendo necessidade de um trabalhador.
Quando começamos o programa, o preço era de R$ 10,00 por dia. Mas aí houve problema em relação aos salários pagos pela prefeitura aos funcionários mais humildes, que ganhavam pouco mais que isso, e tivemos que baixar o preço para R$ 7,00, contou ela.
As mulheres preferem trabalhar no viveiro de mudas da prefeitura, a menos de 200 metros do centro de Sarandi. Ontem, 15 mulheres entre 12 e 49 anos de idade enchiam sacos com terra adubada e sementes de árvores nativas, como tipuanas, palmito, uva japonesa e ameixa amarela, que serão plantadas nas beiras de rios e córregos da região.
Sem esta frente de trabalho não haveria como fazer o serviço, disse o chefe do viveiro e descendente de alemão Otmar Bruch. Todas as mulheres que trabalharam ontem no viveiro trocaram o serviço pelo pagamento de suas contas de água, que custam para elas, em média, R$ 20,00.
Em Sarandi, a taxa de desemprego calculada pelo Sempre-Sine no final de 98 chegou a 20% de uma população economicamente ativa formada por 32 mil pessoas. Cida acha que hoje esta taxa deve ser um pouco maior: O nosso maior problema é a falta de qualificação profissional.Marcos NegriniAtividade produtivaBeneficiados pelo programa enchem saquinhos com sementes de palmito; cada dia de trabalho vale R$ 7,00Marccio W. Varella





