Impedidos de trabalhar devido à proibição da pesca, pescadores do Arquipélago de Ilha Grande, no Rio Paraná (Noroeste do Estado), vão requerer seguro-desemprego. É a primeira vez que os pescadores da região requerem o benefício desde que passaram a ter direito, em 1992. Entretanto, apenas a metade dos pescadores preenche os requisitos para receber o seguro. Segundo o presidente da Colônia Z13, de Guaíra (158 km ao norte de Cascavel), Devaldir Capatti, aproximadamente 400 pessoas ficarão de fora por não possuir três anos de licença junto ao Ibama.
A colônia vai entregar segunda-feira na agência da Caixa Econômica Federal, em Guaíra, entre 300 e 400 pedidos de seguro-desemprego. O presidente da Colônia Z16 (região de Altônia), Antônio Capatti, disse que vai entrar com cerca de 120 pedidos. Segundo Antônio, o registro na antiga Sudepe também será aceito. A região tem três colônias de pescadores.
Se os pedidos forem aprovados, cada pescador vai receber três parcelas mensais de R$ 120,00. O governo promete repassar a primeira parcela em, no máximo, 30 dias. Os pescadores pararam de trabalhar dia 1º de novembro, quando entrou em vigor portaria do Ibama proibindo a pesca no Rio Paraná.
Até 31 de janeiro, só será possível pescar no ‘‘Paranazão’’ nas margens com varas e molinetes. Independente dessa portaria que proibiu até a pesca em barco, já existe outra lei, suspendendo a pesca entre outubro e fevereiro, período de desova dos peixes. Segundo Capatti, existem aproximadamente 1.000 pescadores em 25 portos da região do Arquipélago de Ilha Grande. O arquipélago tem 296 ilhas num trecho de aproximadamente 150 quilômetros entre Guaíra e Porto Rico. ‘‘Todo esse pessoal está sem trabalho’’, disse Capatti.
Segundo Devaldir Capatti, quase 50% deles não vão conseguir o seguro-desemprego por causa da burocracia. A maior dificuldade, de acordo com os líderes, é o registro como pescador profissional no Ibama. Muitos fizeram registro depois de 1995. ‘‘Outros não conseguem a carteira por causa dos critérios muito rigorosos do Ibama para expedir licença para pesca’’.
Ainda segundo Capatti, o Ibama também está dificultando a renovação das carteiras. Há um ano e meio, os funcionários do orgão não aparecem em Guaíra para fazer as renovações. Temos uns 100 pescadores que estão com a carteira vencida ou retida no Ibama para renovação. ‘‘Esse pessoal pode ter o pedido de seguro-desemprego negado por causa disso’’, reclamou.

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