Discutir a história da assistência pública em saúde mental, dos antigos manicômios ao tratamento alternativo sem internação, e a importância da participação familiar na recuperação dos pacientes com distúrbios mentais. Estes são alguns dos objetivos do curso ‘‘A construção da atenção psicossocial em saúde mental’’, que será promovido pela Associação Londrinense de Saúde Mental (ALSM) a partir do próximo sábado, em Londrina.
O curso, dividido em três módulos, acontecerá no auditório da Supercreche a partir das 8h30 e será coordenado pelo psicólogo Silvio Yasui, que é mestrando e professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), em Assis. Podem participar estudantes e profissionais da área da saúde, lideranças comunitárias, familiares e usuários dos serviços assistenciais em saúde mental. A inscrição antecipada custa R$ 15,00 por módulo, e pode ser feita na rua Espírito Santo, l.793, fone (043) 322-3073.
‘‘O objetivo não é ensinar ninguém a tratar dos doentes com distúrbios mentais, que não devem ser confundidos com os portadores de deficiências mentais. Estamos aqui falando dos que são chamados pejorativamente de loucos, doidos, pancadas. Queremos contar a história da evolução das formas de tratamento dispensados a estes pacientes; desde aquela maneira ultrapassada que era o encarceramento em hospícios, até o que há de mais moderno e humano, que é o tratamento em domicílio, sem a internação’’, explica Silvio Yasui.
Segundo ele, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) dão conta que entre 20% e 25% da população necessitam de algum tipo de assistência por sofrerem distúrbios mentais. Entre estes, apenas cerca de 1,5% tratam-se de patologias graves, como a esquizofrenia. ‘‘As internações só devem ocorrer em casos extremamente graves, e mesmo assim por curto espaço de tempo. Hoje, ainda gasta-se muito e mau em milhares de internações que trazem poucos resultados’’, critica o psicólogo, que é também articulador do programa de saúde mental da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo na região de Assis.
De acordo com Yasui, só no Estado de São Paulo são gastos mensalmente R$ 10 milhões com este tipo de internação, envolvendo cerca de 35 mil pacientes. Ele comenta que a internação em hospital especializado sai muito cara para o Sistema Único de Saúde (SUS): R$ 18,80 a diária, contra os R$ 4,50 pagos pela diária de internação causada por outra doença. Em Londrina, no ano passado, 49.029 atendimentos em cinco hospitais especializados consumiram R$ 2.736.746,82 do orçamento da saúde pública.
‘‘Temos que inverter esta lógica e romper a barreira dos preconceitos. Para isto, o papel desempenhado pela família dos pacientes é fundamental. Temos que tratar o pacientes com menos internações, menos remédios e mais carinho, mais compreensão, paciência e solidariedade’’, diz o psicólogo que coordenará o curso promovido pela ALSM. ‘‘Temos que abandonar aquela antiga idéia de que o paciente é o centro do problema. Ele está numa problemática mais ampla que envolve toda a família, todo o contexto social. É ela que temos que enfrentar de forma humana e conjunta, onde a família passa a ser o principal instrumento de recuperação. Este tipo de tratamento faz parte da busca da reintegração social, da reconquista da cidadania pelo paciente. Este é o caminho’’.

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