O medo de ser assaltado é uma constantes no dia-a-dia de motoristas e cobradores. Neste ano, foram registrados mais de 300 casos. ‘‘A situação é tão crítica, que na semana passada a minha empresa me deu dispensa, porque fiquei estressado’’, conta o motorista Divino José da Silva, que atua nesta profissão há dez anos.
Silva conta que no prazo de 12 meses, já foi assaltado 10 vezes na linha Futurama, que corta a Cidade Industrial. ‘‘Por causa disso, tenho medo de tudo e sinto a sensação de que sempre tem um bandido me perseguindo’’, diz. E afirma que não consegue dormir tranquilo. ‘‘Trabalho das 15 horas às 21 horas, depois, quando chego em casa, fico imaginando coisas horríveis’’, comenta.
O motorista que trabalhava com a cobradora Ana Conceição Melo da Silva, Estanislau Leskiewicz, conta que já enfrentou três assaltos, antes da morte de sua colega. ‘‘Hoje, não confio mais na juventude’’, diz. Para ele, os jovens não respeitam ninguém. ‘‘É uma geração sem futuro’’, avalia.
Mas um cobrador, que preferiu não se identificar, considera que os jovens são manipulados por gente grande. ‘‘No meu roteiro, tem um homem, conhecido como Índio, que todo mundo sabe que ele manda os moleques roubar’’. ‘‘Eu, como a polícia, sei onde mora este malandro, mas ninguém mexe com ele por causa do medo’’.

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