Profissionais não são suficientes
Profissionais não são suficientes
Pelo menos 30% das
mortes provocadas por
infecção hospitalar
poderiam ser evitadas
Eliane Eme Sato
Mauro Frasson
Cascão lava as mãos para incentivar medidas de higiene entre as criançasApesar do avanço dos hospitais de Curitiba no controle da infecção hospitalar, o número de profissionais especializados na área ainda é muito escasso, afirma Moacir Pires Ramos, professor de Epidemiologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele foi um dos palestrantes ontem - Dia Nacional de Controle de Infecção Hospitalar - do encontro que reuniu funcionários da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba encarregados de avaliar o controle de infecção nos hospitais da cidade.
No Brasil, em hospitais com mais de 250 leitos e UTIs pertencentes ou conveniadoa ao SUS, a taxa de incidência de infecção hospitalar é de 20% do número de total de internamentos, enquanto que nos hospitais de países desenvolvidos, a taxa varia entre 3% e 4%. Segundo dados do Ministério da Saúde, de 1994, o Sudeste do País tem incidência maior de infecção hospitalar (16,4%); é seguido pelo Nordeste, com 13,1%; Norte, com 11,5%; Sul, com 9% e Centro-Oeste, com 7,2%.
Segundo Ramos, é recomendável pelos menos a presença de um profissional especializado quando o hospital tem mais de 200 leitos. As instituições não costumam divulgar o índice de mortes por infecção hospitalar, mas o percentual de tolerância no Brasil é entre 5% a 6%. Os hospitais de Curitiba, segundo Ramos, em geral estão dentro da média nacional. Pelo menos 30% das mortes por infecção hospitalar podem ser evitadas através de programas de controle, afirma.
Como parte desse programa, os personagens do desenhista Maurício de Souza visitaram o Hospital Pequeno Príncipe. E Cascão, conhecido por sua aversão à limpeza, surpreendeu a garotada lavando as mãos pela primeira vez em sua vida. Numa concessão especial, o personagem pretendeu incentivar as crianças quanto à importância da higiene. Fernanda Teixeira, 10 anos, uma das pacientes, aplaudiu o gesto. Aprendi na escola que a gente tem que estar limpa, afirmou ela, que está internada há quase um mês, vítima de febre reumática. Lucas de Almeida Casarim, 9 anos, leitor dos gibis da Turma da Mônica, realizou seu sonho ao se encontrar com Cascão. Ele é muito legal, igual ao gibi, disse o garoto, internado há mais de três meses, com problemas no coração.
O índice de infecção hospitalar no Hospital Pequeno Príncipe, com 1,5 mil internamentos por mês, varia de 3% a 4%, afirma a diretora de Enfermagem, Maria de Lourdes Castanha. O hospital desenvolve há quatro anos programa de treinamento de funcionários, que aprendem noções básicas como a lavagem correta das mãos. Isso reduz em pelo menos 80% o risco de incidência de infecção hospitalar. Os cerca de 600 funcionários são orientados a usar o cabelo preso, sapatos fechados, unhas curtas e sem esmalte.





