Profissionais espantam-se com exigências e salário
Mauro FrassonNa lutaRenato Roessle, economista experiente no setor bancário, quebra o galho em uma distruibuidoraVoltar ao banco da escola. Esta é a dica que as agências de empregos sugerem a quem perdeu um emprego. Para a psicóloga Sílvia Regina do Prado, da TRH Serviços e Recursos Humanos, a maior dificuldade para o profissional conseguir um novo espaço no mercado de trabalho é a má formação teórica. Mas só a formação não é o limitador, porque algumas empresas estão pedindo profissionais com gabarito superior ao salário proposto, afirma a psicóloga da Leader Administração e Recursos Humanos, Alessandra Orestren.
Alessandra diz que em determinadas faixas salariais, por exemplo a partir dos R$ 1,5 mil, o empresário aumenta a exigência para conseguir um multiprofissional. Porém os benefícios são pequenos, já que o Estado ainda não tem hábitos como um simples auxílio moradia, afirma. Mas não se pode generalizar, porque as empresas que demoram para decidir acabam perdendo bons profissionais para aquelas que têm uma mente aberta, diz.
A psicóloga afirma que alguns pontos são indispensáveis para a contratação em determinados cargos. Saber inglês é um deles, mesmo que a língua estrangeira não seja usada todos os dias. Outra exigência é a experiência na área exigida. O que se torna um limitador para os recém-formados, que acabam tendo a opção de trainee, diz.
Kraw PenasCom o achatamento salarial, motivado pela oferta de mão© de-obra, o contador Gilnei André Ball preferiu dirigir o táxi da família onde consegue ganhar maisMas existem exemplos opostos, de bons profissionais que acabam ficando de fora por excesso de qualificação. O economista Renato Roessle, 28 anos, há quatro meses desempregado, conta que já teve seu currículo rejeitado, porque tinha curso superior. Depois de um tempo desempregado você opta por cargos abaixo de sua qualificação, afirma.
Demitido de uma concessionária de automóveis, ele conta que deixou de atuar na área em que se formou, optando hoje por trabalhar em um serviço temporário de distribuidor. Roessle tem uma boa formação profissional. Quando fazia o seu curso de Economia, ele trabalhou na mesa de operação do Banco Real. Por causa disso, especializou-se nesta área. Pouco depois de formado, em 1997, foi trabalhar numa concessionária, onde passou a atuar desde o atendimento direto até o pós-venda.
Há quatro meses perdeu o emprego. No primeiro mês, você se permite escolher que tipo de serviço quer, diz. Depois passa a diminuir as exigências, porque o seguro-desemprego vai acabar e, por isso, aceita outras opções, afirma. Tanto isto é verdade, que Roessle baixou a proposta de salário, caindo de R$ 1.500,00 para R$ 850,00.
Mas para profissionais como o contador Gilnei André Ball, talvez o futuro não esteja mais nas profissões fixas. Formado em Ciências Contábeis ele preferiu dirigir o táxi da família, quando soube quanto ganharia na sua profissão.
Um salário médio ofertado pela empresas de contabilidade é de R$ 400,00, cerca de 30% menos do que ganho hoje, afirma. Ele conta que a maioria de seus colegas de faculdade não conseguiu montar uma própria empresa e trabalha por salários nesta faixa.(I.R.)





