Profissionais divulgam ECA e recebem denúncias nas escolas
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quarta-feira, 11 de julho de 2018
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 

Os resultados da 1ª Semana Municipal da Criança e do Adolescente, que termina no dia 14 de julho em Londrina, surpreenderam os organizadores do evento que tem o objetivo de divulgar para estudantes do ensino fundamental e médio os direitos e deveres previstos no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Durante as palestras que realizam desde de segunda (9) em escolas estaduais de Londrina, os palestrantes têm recebido algumas denúncias de violência, assédio e abuso sexual e psicológico sofridos por crianças e jovens.
"Percebemos que muitos estudantes não tinham informações sobre o que configura um abuso e não sabiam que podiam pedir ajuda", afirmou a advogada Miriã Pietroroia, do Neddij-UEL (Núcleo de Estudos e Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude da Universidade Estadual de Londrina), entidade que promove a semana em parceria com o Conselho Tutelar, Guarda Municipal, Câmara de Vereadores e Conselho Municipal de Direitos da Criança e Adolescente. A semana segue o preconizado na Lei Municipal 12.530/2017, que inclui no calendário de comemorações oficiais de Londrina a sua realização.
Os temas abordados em palestras realizadas em cinco escolas e que devem atingir 2.500 estudantes incluem ato infracional, rede de proteção, bullying, álcool de drogas e profissionalização. "Muitas crianças e adolescentes não sabiam o que era o ECA, uma lei que os protege", comentou. Em apenas uma escola, a atividade rendeu 12 denúncias de alunos que sofrem violência generalizada na família. Também houve relatos de muitos adolescentes naturalizando a vida no crime e também denúncia de aliciamento de meninas por traficantes na porta das próprias escolas. "Chamaram atenção também as denúncias de assédio de adolescentes nos ambientes em que frequentam. Na próxima edição, vamos incluir o tema do machismo institucional", disse.
O conselheiro tutelar Mirko Bressanine, presidente da Associação dos Conselheiros Tutelares da Regional Londrina, destacou que a entidade acompanha as palestras para divulgar a rede de proteção em Londrina. "A escola é o lugar onde surgem as denúncias. Estamos explicando que o Conselho Tutelar faz parte da rede de proteção", afirmou. Os casos de violência e abuso identificados estão sendo encaminhados para a rede.

GARANTIAS
A professora de ciências Tábata Gomes acha "fundamental" trazer o diálogo para a escola. "Os alunos sempre veem o Conselho Tutelar como algo ruim, não sabem que existem aparelhos públicos como este, que tem o objetivo de garantir proteção. É interessante tirar o tema da perspectiva punitiva", analisou.

Aluno do primeiro ano do curso técnico de informática, Kevin Saillon, 18, achou o conteúdo das palestras "útil e interessante". "O problema é que muitos adolescentes só absorvem o que interessa para eles", afirmou, destacando que o maior problema da juventude atual é a falta de motivação. "Todo mundo precisa ter um sonho, um propósito de vida para seguir em frente. Os adolescentes são muito imediatistas", opinou.
Julia Rodrigues, 11, não conhecia a maioria dos direitos das crianças e achou interessante aprender sobre bullying. "Já vi acontecer aqui na escola e não sabia como ajudar. Entendi que devemos sempre procurar um adulto", contou.
Alef José, 13, também aprendeu sobre os próprios direitos e avaliou que a palestra vai ajudar muitos alunos da escola. Para ele, o maior problema da infância e da adolescência é o risco das drogas. "A gente sabe que os traficantes ficam onde tem adolescentes, mas quem começa a usar entra em um caminho sem volta", disse.
SERVIÇO: Crianças e adolescentes em situação de risco podem telefonar para:
Conselho Tutelar (125), Disque 100 (100) e Serviço reservado da PM (181)


