Profissionais debatem transplante
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sábado, 28 de outubro de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
A Santa Casa de Londrina promoveu ontem o 1º Curso de Formação para Profissionais em Centro Cirúrgico que trabalham com o transplante de órgãos. O objetivo do treinamento é aprimorar os serviços de captação e retirada de órgãos, acondicionamento, assistência ao doador, além de melhorar conhecimento sobre o processo burocrático e ético.
O Paraná tem uma Central de Tranplantes, com sede em Curitiba, e unidades em Londrina e Maringá. De acordo com dados da Central, os maiores problemas estão na notificação dos hospitais no momento exato da morte cerebral dos potenciais doadores, na manutenção do órgão já extraído e na resistência da família em autorizar o transplante.
O curso em Londrina nasceu da preocupação dos centros captadores de órgãos da região norte: Santa Casa, Hospital Evangélico e Hospital Universitário, de Londrina; Hospital Universitário, de Maringá; Hospital João de Freitas, de Arapongas e Hospital São Francisco, de Cambé.
Importante é fazer com que estes profissionais estejam preparados para respeitar os pacientes, mas que estejam também bem treinados. É complicado retirar um coração que ainda bate, afirmou a Irmã Maria Elvira Lawand, membro da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa de Seres Humanos, do Conselho Nacional de Saúde e Coordenadora da Comissão de Bioética de Pesquisa em Seres Humanos da Santa Casa de Londrina.
De acordo com a Irmã Maria Elvira, o transplante deve ser feito com objetivo de preservar a saúde de pessoas que estão praticamente condenadas a morte.Não admitimos venda de órgãos e há uma normatização para diagnóstico de morte cerebral e autorização da retirada de órgãos. É importante consentimento da família e esclarecimento, no caso de doadores vivos, de benefícios e riscos.
O chefe do Serviço de Transplante Renal do Hospital Universitário de Londrina, Marco Aurélio Freitas Rodrigues, acredita que, além do treinamento de profissionais para agilizar o serviço, é necessário promover o que ele chama de educação para a doação. O médico defende que o esclarecimento do assunto desde o ensino fundamental, entre as crianças, seria uma boa alternativa para aumentar número de doadores.
Até pouco tempo a justificativa para o transplante de rins, por exemplo, era para melhorar a sobrevida do paciente. Hoje já se sabe que a quantidade de anos a mais de um transplantado, pode ser o dobro.
Desde que foi criada, em 1997, a Central de Transplantes do Paraná já recebeu 384 notificações de possíveis doadores com morte encefálica comprovada e fez a abordagem de 341 famílias para autorização do transplante de órgãos. No Paraná são realizados transplantes de rim, coração, córnea, ossos e fígado.
Até final de setembro foram realizados em todo o Estado 351 transplantes de córnea, 147 de ossos, 59 de rins, 33 de fígado e 12 de coração. Na lista de espera estão 42 pessoas para transplante de coração, 480 para córneas, 132 para fígado, uma pessoa para transplante de pulmão (o Paraná ainda não realiza este transplante mas está na fila de espera de hospitais de São Paulo e Porto Alegre) e 1.330 a espera de um novo rim.


