Profissão de mototaxista atrai mulheres
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terça-feira, 30 de novembro de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Equilíbrio em duas rodas e no orçamento - a renda de cerca de R$ 1,2 mil por mês - tem atraído até donas de casa para a profissão de mototaxista em Londrina. A atividade é arriscada: além do trânsito e da possibilidade de acidentes, elas enfrentam o perigo de assaltos, principalmente à noite, e o preconceito de homens que não acreditam que elas possam ser boas motoristas. O número de mototaxistas mulheres na cidade ainda é pequeno - segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) do total de 702 mototaxistas apenas 26 são mulheres - mas quem enfrenta a rotina não quer saber de outra profissão.
Caso de Rosimeire Aparecida de Oliveira, de 34 anos, dona de casa e mototaxista há quase três anos. Ela começou na atividade para ajudar o marido, também mototaxista. Trabalhando das 18 horas até por volta das três ou quatro da madrugada e aos sábados até às 7 horas, ela roda em uma noite ''boa'' mais de 300 quilômetros e conta que só ficou um tempo fora da atividade quando engravidou da filha caçula. Rosi, como é mais conhecida, conta que não tem medo de trabalhar à noite, pelo contrário, ''até prefere''. ''Nesse horário o trânsito é bem mais tranquilo e durante parte do dia eu consigo dar atenção para os meus filhos, ajudar nas tarefas escolares, fazer almoço e até lavar roupa'', descreve.
Mas trabalhar à noite exige alguns cuidados - por causa do perigo de assaltos existem lugares na periferia da cidade, que, nem homens ou mulheres mototaxistas, se arriscam a levar ou buscar passageiros. ''No Panissa (Conjunto Avelino Vieira, Zona Oeste) por exemplo, eu só levo cliente que eu confio'', conta a mototaxista Maria Cristina Rodrigues da Silva, de 35 anos, mãe de quatro filhos. ''Nunca fui assaltada, graças à Deus, mas a gente evita alguns lugares, como o Novo Amparo (Zona Leste), o João Turquino (Zona Oeste), o Maracanã (Zona Oeste). Nesses locais a gente sabe que é comum acontecerem assaltos'', afirma Rosi.
Uma das ''táticas'' das mototaxistas é ''puxar conversa'' e procurar saber o que o passageiro vai fazer no local. ''Dependendo do lugar, se é corrida de ida e volta eu não faço. E se, no meio do caminho, a gente desconfia de alguma coisa, procura uma viatura da polícia'', conta Rosi. Segundo ela, essas corridas costumam ser em busca de drogas. ''Os (mototaxistas) que são sérios não fazem isso (buscar drogas), mas tem os que se escondem atrás de um colete da central. Esses deveriam ser punidos'', afirma.
Outra das dificuldades que essas motoristas enfrentam é o preconceito. ''Já tive passageiro que perguntou se eu tinha carteira mesmo ou se eu sabia dirigir. Eu levo no bom humor, até porque tem muita gente que prefere a mulher como motorista. As mulheres são mais calmas, mais cuidadosas e não correm tanto'', conta Cristina. ''Um ou outro cliente faz cara 'torta' quando vê que é uma mulher que está ao volante, mas a gente acaba tendo mais clientes preferenciais, que ligam no celular'', completa Rose.
O profissionalismo dessas motoristas, no entanto, não impede que elas enfrentem alguns ''engraçadinhos''. ''Já aconteceu do passageiro subir na moto e me agarrar. Nessas horas eu falo que sou casada, estou trabalhando e peço respeito. Normalmente funciona'', conta Cristina. Apaixonada por motos, Cristina, que já trabalhou como secretária, ''se encontrou'' na profissão: ''Sempre gostei muito de motos e consegui conciliar trabalho e prazer. Quando trabalhava de secretária ganhava R$ 300,00 e como mototaxista junto muito mais''. Rosi também não quer parar tão cedo: ''Quando eu estiver velhinha, talvez diminua o ritmo, mas enquanto eu puder vou continuar''.


