Profissão: como fazer a escolha certa
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segunda-feira, 12 de março de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
''É um momento difícil para o jovem porque temos uma cultura familiar em que não são trabalhadas as escolhas pessoais, e esta muitas vezes é a primeira escolha mais séria da vida do jovem.'' A afirmação é da psicóloga escolar e coordenadora do Ensino Médio do Colégio Universitário, Rosa Maria Cardoso, se referindo à escolha da profissão, que geralmente tem que ser tomada no final da adolescência e início da vida adulta.
A psicóloga explica que esta característica reforça a importância da família e da escola trabalharem juntas neste processo. ''Ao longo da vida escolar o estudante deve conhecer as profissões e se conhecer. Estas ações não devem ser restritas ao terceiro ano do Ensino Médio'', disse.
Duas características humanas dificultam ainda mais a escolha das profissões, disse Rosa. ''Uma é a capacidade que temos de deixar as coisas que nos incomodam para depois e a outra são as decisões por compulsão, sem pensar'', explicou. De acordo com ela, não são incomuns os casos de alunos que embasam a escolha do curso em apenas uma justificativa. ''Aqueles que baseiam a decisão apenas no mercado de trabalho, por exemplo, têm mais chances de errar ou desistir'', afirmou.
Uma outra questão que dificulta a escolha é vontade de agradar a família e o medo de desapontar os pais. ''Percebemos que há alguns que querem recompensar os pais a qualquer custo e veem nesta decisão uma forma de atingir este objetivo'', disse. As profissões da moda são outra armadilha. ''É preciso desmistificar as carreiras. Tem gente que acha que tem que casar com o curso, mas hoje a vida profissional é muito dinâmica, o aluno vai direcionar o conhecimento para suas áreas de interesse. Na dúvida, é melhor buscar um curso mais amplo e depois afunilar'', destacou.
Busca interna
De acordo com a psicopedagoga Eunice Fernandes, de Londrina, para definir a profissão é necessário fazer uma busca interna. ''Nesta época (adolescência) eles geralmente não estão motivados para pensar nisso e são poucas as famílias que permitem que os jovens adiem esta decisão de escolha'', disse.
''É fundamental a participação da família. Os pais devem dar palpite se o filho solicitar, porque há jovens que ficam completamente desorientados nesta fase'', afirmou a psicopedagoga. De acordo com ela, alguns pais precisam lidar com os próprios conflitos internos antes de dar palpite.
São mais de 150 cursos superiores disponíveis no Brasil e a orientação vocacional propicia que o aluno faça uma escolha consciente. ''Pode ser que ainda assim o aluno não se identifique com o curso, mas ele terá a segurança de quem buscou acertar.'' Eunice destacou que esta é uma idade de muita fantasia e que é necessário tomar cuidado com as armadilhas que as escolhas representam.
O processo de orientação vocacional é feito passo a passo. Eunice defende que seja trabalhado o autoconhecimento e a confiança do jovem para que um bom trabalho seja desempenhado. ''Durante o processo são feitas pesquisas sobre as profissões, é preciso levar em conta a grade curricular do curso e também as habilidades de cada aluno e o jovem deve tomar conhecimento dos prós e contras de cada profissão'', destacou a profissional, acrescentando que conhecer os campos de atuação e tomar conhecimento dos próprios limites físicos e emocionais também são imprescindíveis.


