Profissão ainda não é reconhecida
Adestrar o próprio cachorro pode ser uma alternativa, desde que se tenha o conhecimento necessário. Livros e cursos sobre adestramento em DVD existem e podem ser uma fonte, mas o aconselhável é ter o acompanhamento de um especialista, afirma o adestrador Marcos Urias. A função ainda não é reconhecida como uma profissão, mas já existem cursos de várias áreas, que podem ser feitas em cinco etapas de dois dias cada.
Luciana Mara Martins, que fez um curso de adestramento com Urias em Londrina, sempre teve interesse por cães e sonhava em ser veterinária. Como a vida tomou outros rumos, ela abriu um pet shop e pretende completar o sonho de trabalhar com animais adquirindo competência para ser adestradora.
Já Tiago Fiorenza, estudante de Medicina Veterinária, resolveu partir para o adestramento impulsionado pelo modismo que esse tipo de atividade adquiriu nos últimos tempos. ''Não está na grade (curricular), mas nunca é demais aprender alguma coisa.'' Apesar do seu objetivo ser trabalhar com grandes animais, ele deseja manter a atividade de adestrador como hobbie.
Urias, que já fez 36 cursos no Brasil e no exterior, considera que uma pessoa já está apta para exercer a função de adestrador quando tem pelo menos um curso de obediência básica, que envolve comandos como andar junto, sentar, deitar, etc. Mas o ideal seria complementar o conhecimento com cursos de comportamento domiciliar e de ''show dog'', em que o cão é treinado a fingir de morto e rolar, por exemplo.
Diferenças
Não se pode dizer que no adestramento o método moderno é bom e o mais tradicional, ruim. O sistema a ser utilizado depende do resultado que se deseja obter, afirma o médico veterinário especialista em comportamento animal e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Mauro Lantzman. ''Cada técnica tem seu valor. Depende do que se quer. Tem vezes que você tem que usar punição (na forma tradicional).'' O problema, continua, é que a punição tira a criatividade do cachorro. ''Eles se tornam menos criativos porque têm medo. Já o reforço positivo aumenta a criatividade.'' (M.F.C.)





