Professores voltam aos bancos escolares
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quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Professora de português no Colégio Estadual Dario Vellozo, no Jardim Presidente, Zona Oeste de Londrina, Carlinda Rosa voltou aos bancos escolares para aprender mais sobre inclusão. No ano passado, ela se viu perdida ao ter que ensinar duas alunas com deficiência visual - que hoje frequentam o segundo ano do ensino médio no Dario Vellozo - e este ano comemorou a iniciativa do Centro de Apoio Pedagógico da Pessoa com Deficiência Visual (CAP) de Londrina em capacitar professores para o ensino de alunos cegos.
Na última segunda-feira Carlinda e outras 25 professoras participaram do terceiro encontro do curso oferecido gratuitamente pelo CAP, em parceria com o Núcleo Regional de Educação e a Universidade Estadual de Londrina (UEL), no espaço do Centro de Apoio, que funciona no Jardim Presidente. Transcrevendo textos para o sistema braile sem qualquer dificuldade, a professora se diz mais capacitada para lidar com as estudantes que, segundo ela, já estão integradas com a escola e os colegas.
''Sabendo braile já posso avaliar melhor os erros e também produzir material especial para as meninas. Antes era difícil elas terem acesso a alguns poemas e textos, já que não é tudo que dá para passar para o sistema'', disse Carlinda, que costumava ditar exercícios às alunas.
Segundo a professora, a inclusão tem sido melhor do que o esperado, pois tanto a direção do colégio como os colegas têm ajudado as meninas a se adaptarem. ''Quando soube que teria alunas com deficiência visual fiquei preocupada. Não só comigo, mas pelas alunas e pelos colegas de classe que, no começo, sentiam ciúme do tratamento dispensado às meninas'', confessou Carlinda.
Há um ano e meio trabalhando com a inclusão, a professora admitiu ter aprendido muito com as alunas. ''Compreender outro universo é muito legal. Aprender braile é mais fácil do que eu pensava.''
Ensinando dois alunos cegos na quarta série do ensino fundamental da Escola Municipal Vitório Franklin, de Rolândia (Norte), a professora Maria Doroteia Consani não tinha experiência alguma em inclusão. ''Aprendi com os alunos, que são supercooperativos e entendem a dificuldade dos professores'', contou.
No entanto, para ela, a capacitação deveria acontecer antes das escolas receberem os alunos. ''No começo senti dificuldade em aprender o braile, mas agora, como trabalho com o sistema todo dia, já estou memorizando'', comentou Maria, reforçando que os próprios colegas auxiliam os meninos em sala de aula. ''O relacionamento é perfeito. Como os meninos precisam de silêncio para se concentrar, os colegas ajudam. Além disso, o centro de atendimento aos dificientes visuais da cidade funciona dentro da escola.''
Voltado também para universitários, o treinamento contemplou quatro alunas do curso de Letras Estrangeiras da UEL. Para a estudante do terceiro ano, Marlana Della Rovere, o curso ''é bom não só para nós, futuros professores, como para os alunos''.
''Temos a disciplina de educação inclusiva na faculdade, por isso já conhecia a teoria da inclusão. Achava braile mais difícil, mas o curso ensina o sistema de maneira facilitada. Para mim, um curso complementa o outro: temos o embasamento teórico na UEL e o braile vai nos possibilitar usar material especial com os alunos'', opinou Marlana.


