Curitiba - A implantação de um plano de carreira para os funcionários das escolas da rede estadual de ensino é uma das principais reivindicações da pauta que os professores paranaenses querem apresentar ao governo nesta segunda-feira, 30 de agosto, quando prometem paralisar suas atividades. A mobilização lembra o confronto entre professores e policiais militares em frente ao Palácio Iguaçu, ocorrido durante um movimento de greve, em 1988.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), José Lemos, a intenção é que, com o plano de carreira, os funcionários se sintam estimulados a estudar para ascender na carreira e melhorar, assim, seus salários.
Segundo Lemos, cerca de 7 mil dos 25 mil funcionários não têm o ensino fundamental completo, o que no entendimento da APP-Sindicato é uma situação incoerente com os estabelecimentos de ensino.
A APP-Sindicato, destacou Lemos, teme que esses 7 mil funcionários sejam demitidos, pois segundo ele, com os critérios atuais do concurso público, eles não teriam a escolaridade mínima para participar. Por isso, a reivindicação da entidade é de que o concurso só aconteça depois da implantação do plano de carreira.
A proposta da APP-Sindicato é que sejam criados dois cargos: agente educacional 1, que exerceria as funções de agente de infra-estrutura (zelador), agente de alimentação (merendeira) e agente de interação escolar (inspetor); e agente educacional 2, que seriam os agentes em ações administrativa escolar (secretaria) e agente multimeio (biblioteca, videoteca etc.).
O salário inicial para o agente educacional 1 seria de R$ 520,00, contra os R$ 228,00 atuais. O salário do agente educacional 2, no primeiro nível, passaria dos atuais R$ 334 para R$ 624,00. O teto salarial seria de R$ 1.704,00, no último nível da carreira, quando seria exigido curso superior.
A expectativa da APP-Sindicato, segundo Lemos, é que o plano seja aprovado ainda este ano. Ele afirmou que o assunto está sendo tratado junto à Secretaria de Estado da Educação, que teria se mostrado receptiva à idéia. Por outro lado, estaria havendo resistência por parte da Secretaria de Estado da Administração, que não quer que os funcionários, hoje lotados no Quadro Próprio do Executivo, sejam vinculados ao quadro da Educação.
O diretor-geral da Secretaria de Estado da Administração e Previdência, Hermínio Back, disse que não recebeu nenhuma proposta formal da APP sobre o plano de carreira dos funcionários. O assunto, segundo ele, demandaria análises mais aprofundadas, pois, em princípio, não existe uma convicção de que, dentro da administração pública, a criação de quadros separados seja o mais adequado. Back informou, também, que não há previsão de concurso para funcionários este ano. Não foi possível ter um posicionamento da Secretaria de Estado da Educação. Segundo a assessoria de imprensa, os responsáveis estavam em um curso em Foz do Iguaçu.

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