O presidente do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), César Caggiano dos Santos, e o professor universitário Kennedy Piau, foram conduzidos ontem à tarde ao plantão da 10ª Subdivisão Policial (10ª SDP). Eles estavam em frente ao Colégio Maxi, área central da cidade, entregando aos vestibulandos um panfleto entitulado ‘‘Manifesto em Defesa do Ensino Público, Gratuito e de Qualidade’’.
O panfleto, assinado pelo Comando de Mobilização de Alunos, Funcionários e Professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi apreendido e os professores liberados. Segundo o documento distribuído pelo Sindiprol, a UEL, assim como toda universidade pública brasileira está passsando por um processo de destruição de seu caráter público, o que justificaria o valor da taxa de inscrição para o vestibular (R$ 90). De acordo com o manifesto é a taxa mais cara do País.
Segundo o oficial de justiça José Abrahão da Silva, uma liminar do juiz Ademir Ribeiro Richter proibiu as entidades que representam a comunidade universitária de realizar panfletagem ou qualquer ato que pudesse atrabalhar o vestibular da UEL. A decisão judicial atendeu a uma ação cautelar protocolada pela universidade durante a última greve dos professores. Silva disse ainda que a Justiça recebeu uma denúncia de que havia cerca de 10 pessoas entregando o manifesto em frente ao colégio.
De acordo com César Caggiano dos Santos, a distribuição do manifesto foi decidida durante assembléia. ‘‘Em assembléia decidimos que não iríamos atrapalhar o vestibular. Essa medida foi mais uma truculência, voltamos ao período da ditadura, onde as entidades não podem se manifestar. Não esperávamos que os dirigentes da UEL agissem dessa maneira’’, criticou.
O professor Kennedy Piau afirmou que o manifesto estava sendo entregue na rua, durante a saída dos vestibulandos, onde também havia mais pessoas entregando panfletos com informes publicitários. Piau comparou a apreensão do manifesto a um ato de repressão da Didatura. ‘‘Isso é um absurdo num regime democrático. Nem durante a didatura isso poderia acontecer’’, comentou. Kennedy Piau e César Caggiano dos Santos foram liberados após serem qualificados pelo serviço de triagem da Polícia Militar (PM), que funciona na 10ª SDP.

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