Professores retomam greve de fome
Professores ligados à APP-Sindicato (entidade representante dos funcionários de escolas públicas do Paraná) voltaram a fazer greve de fome. Sete professores e um funcionário iniciaram o protesto na manhã de ontem, na Boca Maldita, centro de Curitiba. O diretor de imprensa da APP, José Lemos, disse que a greve só acabará quando as reivindicações da categoria forem atendidas.
A decisão foi tomada na terça-feira depois do encontro de representantes do sindicato com o governo. Na semana passada, o governo disse que estava disposto a negociar, mas ontem mostrou que não quer nada, disse Lemos. Pretende acabar com o sindicato para aprovar seu programa (Pladepe) sem resistência. O governo cortou o repasse da mensalidade da categoria à APP. Lemos cita o artigo 8º da Constituição Federal, que diz que todo trabalhador tem direito de autorizar o desconto da mensalidade do sindicato em folha.
A APP quer a aprovação do Plano de Cargos, Carreira e Salário (PCCS) elaborado pela categoria, e o abandono do Pladepe. O sindicato reclama do regime CLT e defende que o governo mantenha o estatutário. A Emenda 19 diz que podem haver dois regimes. São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Espírito Santo, por exemplo, mantiveram o estatutário, disse Lemos. Com o regime CLT ficamos vulneráveis. O governo quer nos transformar em cabos eleitorais. Outro ponto de discussão é o fim da estabilidade e a falta de critérios para as demissões.
O sindicato ainda defende a jornada de trabalho de 40 horas. Se for para piorar nossa situação, preferimos que o governo deixe como está.
Em relação aos salários, o sindicato quer que o valor seja igual ao de março de 87: três salários mínimos e gratificação de regência de classe. Hoje, os professores recebem em média 1,95 salário mínimo. Somos 70% dos funcionários do Estado e ficamos com apenas 23% da folha de pagamento, diz Lemos.Mauro FrassonA greve de fome, reiniciada ontem, só deve terminar, segundo a APP, quando as reivindicações forem aceitasAnna Camanducaia





