Cerca de 500 pessoas, entre professores, funcionários e alunos da rede estadual de ensino em Londrina, realizaram na manhã de ontem uma manifestação no Calçadão para cobrar do governo do Paraná o cumprimento de direitos como a implementação do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN) e alertar a população para mudanças que já estão ocorrendo em outros estados, como a militarização e a privatização de escolas estaduais. A manifestação ocorreu em várias cidades do Paraná e marcou o encerramento da greve nacional que começou na terça-feira, com atividades dentro das escolas.
A secretaria de Estado de Educação estima que profissionais de um terço das escolas tenham aderido à paralisação. Já a APP-Sindicato informou que pelo menos 70% das escolas interromperam as aulas total ou parcialmente em todo o Estado.
Representantes de mais de 50 escolas de Londrina e região estiveram presentes no ato público no Calçadão, segundo a APP-Sindicato em Londrina. O Núcleo Regional de Educação (NRE) fez uma estimativa por amostragem e informou que 60% das 125 escolas de Londrina e região paralisaram as atividades parcialmente, 20% pararam totalmente e 20% não aderiram à mobilização.
"Esse ato foi pensado em defesa da educação pública nacional. A CNTE [Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação], em Brasília, tem percebido uma série de ataques à educação pública", disse o presidente da APP-Sindicato em Londrina, Márcio André Ribeiro. Uma das principais reivindicações é o cumprimento da lei federal que estabelece em R$ 2.135,64 o piso nacional dos professores. Mas no Paraná, segundo o sindicato, o valor atual do piso é de R$ 1.982,10, 7,75% abaixo do nacional. "O STJ [Superior Tribunal de Justiça] já determinou que quando há uma recomposição, ela vai no primeiro nível e é aplicada em cascata aos demais níveis, mas isso não acontece", reclamou Ribeiro.
"O governo do Paraná faz várias manobras para demonstrar que cumpre a lei, como somar o vale-transporte ao valor do salário", afirmou a secretária de Comunicação da APP-Sindicato, Paola Gollner. Ela ainda chamou a atenção para mudanças que o Estado vêm fazendo na educação e que, conforme ela, prejudicam a qualidade do ensino, como a redução de turmas com o consequente aumento do número de alunos por classe e a suspensão dos concursos públicos.
Os manifestantes também alertaram a população para a militarização das escolas estaduais e privatização das unidades de ensino, já instituídas pelo governo de Goiás. "No Paraná já teve conversas sobre a militarização dos colégios. Isso nos preocupa porque entendemos que os problemas disciplinares dos alunos devem ser resolvidos pedagogicamente", disse Ribeiro. Outra crítica feita pelo presidente da APP-Sindicato refere-se à transferência da gestão escolar para as Organizações Sociais (OSs), o que ameaçaria a abertura de concursos públicos e o pagamento do piso nacional.

Calendário
"Nossa manifestação é mais altruísta do que egoísta. Os professores que começam no Estado não recebem o piso, que é uma lei federal, mas nós, aqui no Paraná, estamos quase atingindo o piso. Em outros estados, o valor do piso é muito aquém", disse o professor do Colégio Estadual Marcelino Champagnat, Cláudio de Assis Cunha.
A mobilização da categoria contou com o apoio dos grêmios estudantis. A aluna do segundo ano do Ensino Médio Yasmin Gomes Reis considera importante a união de professores, alunos e funcionários. "A luta não é só deles. Todas essas questões que estão sendo reivindicadas aqui são discutidas com a gente em sala de aula. O piso salarial é lei e precisa ser cumprida."
A chefe do Núcleo Regional de Educação, Lúcia Cortez, disse que as escolas que aderiram totalmente à paralisação ontem terão de repor o conteúdo. "O calendário das escolas é aprovado com 200 dias letivos e esses 200 dias têm de ser cumpridos." Se a adesão foi parcial, as atividades que deixaram de ser executadas também terão de ser repostas.

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