Professores reclamam de taxas do Cref
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terça-feira, 01 de junho de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Profissionais de educação física de Londrina estão insatisfeitos com as taxas cobradas pelo Conselho Regional de Educação Física (Cref) do Paraná. A entidade determina que, para se registrar no órgão, professores da área devem pagar taxa para inscrição no Conselho Federal de Educação Física (Confef) de R$ 60 e de inscrição no Cref de R$ 190. Donos de academias devem pagar os R$ 60 do Confef, e mais R$ 640 do conselho regional.
A vinculação ao Confef e ao Cref é obrigatória. Depois das taxas de registro, é preciso pagar as anuidades: para 2004, foram arbitradas cobranças entre R$ 300 e R$ 500 para donos de academias, e entre R$ 100 e R$ 170 para professores (as faixas de valores variam conforme a época do ano em que o registrado decide pagar). O pagamento das anuidades de pessoas físicas pode ser parcelado em três vezes, ao contrário das taxas de registro e das anuidades para pessoas jurídicas.
O professor Rodrigo Pires de Campos está sendo acionado na Justiça porque não teria pago as taxas de uma academia na Vila Brasil (região central) da qual era dono e que fechou as portas em dezembro último. No local, ele trabalhava como estagiário, já que se formou apenas no final de 2003.
''Poucos dias antes de eu fechar a academia, um fiscal do Cref apareceu e cobrou os pagamentos. Eu já tinha decidido fechar o estabelecimento, porque tinha muitas despesas: impostos, contas de luz, água... Não me filiei ao Cref, me recusei, justamente porque as taxas são muito altas. Já tinha dificuldades financeiras e não teria como pagar'', comentou.
O impasse acabou gerando uma ação que corre no Juizado Especial Criminal: Campos está sendo acusado de exercer a profissão ilegalmente. ''Isso é um absurdo. Um professor às vezes ganha apenas uns R$ 300 por mês, e tem que arcar com essas taxas?'', opina ele, que terá que prestar depoimento no Juizado no próximo dia 22.
O professor Pedro Henrique Guimarães, que trabalha numa academia na Avenida Tiradentes (Zona Oeste), está regularizado no Cref, mas discorda dos valores das taxas. ''Pelo trabalho que o conselho realiza, os valores são altos. Até hoje, não vimos resultados práticos da atuação do Cref. Se dá algum problema no trabalho, o profissional não pode contar com o conselho, porque eles não sabem resolver nada'', critica.
Márcio Meneguetti, proprietário de uma academia na Zona Leste, teve que se apresentar em maio na 10 Subdivisão Policial (SDP) para prestar esclarecimentos sobre as razões pelas quais não pagou as taxas de seu estabelecimento. ''Entendo que o Cref deve fazer fiscalização, mas não com essas taxas. As tarifas do conselho no Paraná são as mais caras de todo o Brasil. Para uma academia grande, são valores quase irrelevantes. Para academias pequenas como a minha, a dificuldade para pagar é enorme'', diz ele.
Rui Lopes, outro proprietário de academia, conta que cerca de 30 donos de estabelecimentos do tipo de Londrina assinaram uma reivindicação para que o Cref diminua os valores das taxas. Ele alega que, mesmo diante de muita reclamação, a diretoria do conselho se nega a discutir o assunto. ''Nos próximos dias, vamos fazer uma reunião entre os donos de academias para discutir formas de fazer com que o Cref inicie um diálogo''.


