Curitiba - Professores da rede pública estadual fizeram ontem uma manifestação que terminou em passeata pela região central de Curitiba. Eles se dirigiram até o Palácio das Araucárias, no Centro Cívico, onde uma comissão foi atendida por representantes das secretarias de Estado da Educação, Planejamento, Fazenda, Administração e Casa Civil. Entre os principais pedidos dos professores estão: equiparação salarial com as demais profissões de nível superior do quadro próprio do governo; término e aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e aposentadoria especial para diretores e pedagogos de escolas.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), José Lemos, o governo do Estado não cumpre uma lei federal que garante aos diretores e pedagogos o mesmo sistema de aposentadorias dos professores. O governo alega que existe uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) tramitando na Justiça e o mérito ainda não foi julgado. Outro pedido da APP-Sindicato é o de que o professor concursado não precise fazer mais um concurso para poder trabalhar 40 horas semanais em vez de 20 horas.
A equiparação salarial dos professores é um pedido antigo e seria um compromisso da campanha de Roberto Requião (PMDB) ao governo do Estado. ''Ano passado tivemos 17% de reposição de perdas, mas ainda faltam 38,57% para recebermos um salário compatível com os demais funcionários de nível superior do Estado'', disse Lemos.
O salário inicial dos professores é de R$ 1.205,00, enquanto os demais servidores recebem R$ 2.157,00. Segundo a APP-Sindicato, o governo gasta 44,2% com folha de pagamento e poderia usar até 49% da receita corrente líquida. Na negociação de ontem, foi agendada uma reunião para o próximo dia 25 para tratar desse assunto.
Para Lemos, a reunião foi produtiva, pois se avançou em alguns pontos como a questão do fim da obrigatoriedade de reposição de aulas, quando o professor fica até três dias afastado por motivos de doença. O governo se comprometeu a baixar uma portaria que desobriga o docente a repor as aulas (o que normalmente é feito nos finais de semana) quando apresenta o atestado médico.
Quanto ao plano de carreira dos funcionários, ficou definido que a comissão que elabora o documento deverá concluí-lo até o final deste mês, para que o governo possa encaminhar a mensagem à Assembléia Legislativa, entre abril e maio. A intenção é que o plano seja votado até junho, para ser implementado a partir do segundo semestre.
Enquanto o grupo de professores se reunia em Curitiba com representantes do governo, nos demais municípios as escolas participavam do movimento distribuindo material impresso com a pauta de reivindicação, informando os pais e encerrando mais cedo as aulas desta sexta-feira. O presidente da APP-Sindicato de Londrina, Nelson Antonio da Silva, não soube precisar quantas das 76 escolas estaduais da cidade haviam aderido ao movimento, mas garantiu que as maiores estavam participando.
No dia 29, professores e funcionários de escolas fazem uma assembléia geral para analisar o encaminhamento das propostas governamentais. (Colaborou Silvana Leão)

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