Professores protestam em Curitiba
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quinta-feira, 25 de outubro de 2001
Maigue Gueths<br> De Curitiba 
Professores da rede estadual de ensino realizaram uma manifestação, ontem de manhã, em frente à Secretaria de Educação, para pressionar o governo contra a possibilidade de demissões e redução salarial com a municipalização de escolas de 1ª a 4ª séries. Depois de duas horas de impasse, a diretora geral da Secretaria Estadual da Educação, Sonia Loyola, acabou recebendo uma comissão de professores e garantiu que não haverá demissões.
''A Prefeitura de Curitiba já se comprometeu a encampar todos os professores das escolas e o Estado ficará com os servidores'', afirmou. O repasse do ensino da 1ª a 4ª séries para os municípios é uma exigência da Lei Nacional de Diretrizes e Bases da Educação. Noventa e cinco por cento do ensino no Paraná já segue essa orientação. Este ano, segundo Loyola, 30 escolas estaduais com ensino exclusivo de 1ª a 4ª serão muncipalizadas em Curitiba. Calcula-se que existam cerca de 500 servidores nessas instituições. Há outras 100 escolas espalhadas pelo Estado que devem passar pelo mesmo processo.
O diretor de Organização do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Paraná (APP-Sindicato), Luiz Carlos Paixão da Rocha, alerta que esses professores também correm risco de terem os salários reduzidos, uma vez que no Estado eles recebem uma gratificação de 20%. A diretora da secretaria não acredita nessa hipótese, já que o salário-base pago pela prefeitura é superior ao praticado pelo Estado.
Outra reivindicação prioritária levantada pelos professores é o pagamento de 20% dos salários de hora-atividade (pagamento pelo tempo de preparo das aulas) até o final do ano. Até agora, a secretaria implantou apenas 10%.
Apesar de negar demissões, a diretora acabou reconhecendo que professores contratados pelo regime celetista devem ser dispensados no final do ano. ''Mas são apenas professores contratados para substituir outros que se ausentam temporariamente'', diz. Paixão, entretanto, rebate essa afirmação, alegando que a política da Secretaria da Educação caminha no sentido de reduzir seus programas de educação e, consequentemente, o quadro de pessoal.
Como exemplos, ele cita, a extinção do ensino regular no período noturno, a redução da grade curricular do ensino regular e o incentivo aos cursos de aceleração.


