Professores, alunos e representantes da APP-Sindicato e da Universidade Estadual de Londrina (UEL) se reuniram na manhã desta segunda-feira, no Calçadão de Londrina, para protestar contra a medida anunciada pelo governo do Paraná. De acordo com os manifestantes, a Secretaria de Estado da Educação pretende criar duas disciplinas de tópicos, uma em português e outra em matemática, para reforçar o ensino nessas áreas. A alteração seria feita a partir do ano que vem. No entanto, matérias de filosofia, sociologia e artes teriam carga horária reduzida. Aproximadamente 200 pessoas participaram da manifestação.

O presidente da APP-Sindicato em Londrina, Antônio Marcos Gonçalves, destacou que os professores não são contrários ao aumento no número de aulas de português e matemática, mas a categoria ficou insatisfeita com a forma com que a medida teria sido anunciada pelo governo. "Até agora, as escolas não receberam uma orientação formal. Hoje trabalhamos com 25 horas-aula por semana, esse número aumentaria para 27 horas-aula com o reforço em português e matemática. Então queremos 30 horas-aula, sem a redução de nenhuma disciplina", argumentou.

Os estudantes têm 12 disciplinas no Ensino Médio. Segundo Gonçalves, a mudança teria sido formulada para tentar aumentar as médias dos alunos nos exames aplicados pelo Governo Federal. Para o professor de artes, André Camargo Lopes, o anúncio causou indignação. "O primeiro impulso foi fazer a mobilização", contou. Lopes está na rede estadual há 9 anos. Ele destacou que a alteração é confusa para alunos e docentes do Ensino Médio. "Pelo que soubemos, o 1º ano noturno vai ter a disciplina e o 1º ano matutino não. No 2º ano, as turmas de manhã e da noite vão ter artes e a matéria deixa de existir no 3º ano. É um retrocesso no avanço de uma discussão ferrenha para implantar essas matérias", afirmou.

Já os docentes de filosofia e de sociologia perderiam uma aula por semana no 1º ano. A professora de filosofia, Marileide Soares de Lima, considerou a mudança "um verdadeiro absurdo". "É preciso haver uma integração entre as matérias. A maior dificuldade nossa no 1º ano é que os alunos chegam com conteúdos decorados. Apenas com um ensino integrado é que eles poderiam desenvolver um pensamento crítico com mais facilidade. Hoje a educação é fragmentada", opinou.

As professoras de sociologia, Vani Espírito Santo e Joana D'Arc Moreira, participaram do protesto e defenderam que as alterações propostas pelo governo são contrárias à Lei de Diretrizes Curriculares e à outras normas federais. Os estudantes também reclamaram da qualidade na educação. Uma aluna do 3º ano do Colégio Estadual Profº Vicente Rijo preferiu não se identificar, mas disse que a mudança é ruim. "Essas matérias ajudam a gente a ter uma visão mais ampla. Tem matérias que eu não sei até hoje porque eu só decorava para passar de ano. Essas disciplinas nos ensinam a pensar", contou a adolescente. Já a estudante Heloísa Silva, 17 anos, estava preocupada. "As matérias são cobradas no vestibular. Como nós vamos fazer sem todos os conteúdos?", destacou.

Os docentes vão se reunir em Curitiba nesta terça-feira para acompanhar discussões sobre a situação previdenciária dos profissionais, aobre o Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) da categoria e sobre a hora-atividade prevista para o ano que vem. Um abaixo-assinado com mais de mil participantes também vai ser entregue aos representantes da Secretaria de Educação para reclamar sobre a mudança na grade curricular.

A superintendente da Secretaria de Educação, Meroujy Cavet, negou a criação das disciplinas de tópicos. Segundo Merouj, as matérias de produção textual e matemática básica vão ser ministradas junto com as disciplinas de português e matemática. A intenção do governo é ampliar a carga horária para 30 horas semanais, mas ainda é preciso analisar o impacto na folha de pagamento dos professores.

As disciplinas de língua estrangeira e de educação física também seriam afetadas pela mudança. No caso da língua estrangeira, os alunos do 1º ano teriam a disciplina de inglês e os alunos do 3º teriam espanhol. A discussão sobre as mudanças vão ser feitas até o dia 13 de dezembro, quando está programada a distribuição de aulas entre os docentes. (Colaborou Érica Gonçalves, da Folha de Londrina)

(Atualizado às 12h30)

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