Professores protestam com frio e chuva
Professores protestam com frio e chuva
Na próxima quinta-feira a APP-Sindicato espera reunir cinco mil pessoas no ato pedindo reajuste e plano de cargos
Mauro FrassonDeterminaçãoManifestantes enfrentam o clima ruim, mas a caminhada continua e deve chegar hoje à periferia de CuritibaGiovani Ferreira
Os professores que participam da marcha de protesto iniciada na última sexta-feira, em Ponta Grossa, enfrentam ontem muita chuva e um frio de aproximadamente 11 graus no quarto dia da caminhada em direção a Curitiba. O grupo é composto por 50 pessoas, entre professores e servidores da rede estadual de ensino, e deve chegar na manhã desta quinta-feira à capital, depois de andar 110 quilômetros.
Apesar da chuva, a marcha continua seguindo o ritmo inicial, percorrendo um trecho entre 24 e 26 quilômetros por dia. De acordo com Sérgio Ubiratan, um dos coordenadores estaduais da Associação de Professores do Paraná (APP-Sindicato), as condições climáticas não estão interferindo na determinação dos integrantes da caminhada, que representam milhares de servidores da educação de todas as regiões do Paraná.
O protesto conta com um efetivo permanente de 35 pessoas caminhando pela BR 277. Um segundo grupo, motorizado, com o apoio de enfermeiras,é responsável pela infra-estrutura dos acampamentos, que são montados ao longo das margens da rodovia. Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), participam da marcha, dando uma assessoria logística, do ponto de vista da montagem de barracas e definição dos melhores pontos para o acampamento.
O encerramento da caminhadaacontece com a realização de um ato público, marcando o Dia Estadual de Luta, que estará sendo desenvolvido em todo o Estado. Os professores estão protestando contra a falta de aprovação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). A categoria elaborou um PCCS e entregou na Assembléia Legislativa no ano passado. Quinta-feira faz um ano que esse plano está nas mãos dos deputados.
A categoria também reivindica o repasse da inflação de 29,48%, acumulada desde 1995, quando aconteceu o último reajuste de salário. Na época os professores receberam 15% de aumento. Eles entendem que a aprovação do plano de cargos é fundamental não somente para disciplinar a questão salarial, como também para valorizar a qualidade de ensino e a formação profissional. Por considerarem que são empresas criadas de maneira ilegal, os professores pedem ainda a extinção da Paranaeducação e da Paranaprevidência.
Entre os servidores aposentados e os que estão na ativa, hoje existem 120 mil trabalhadores da educação em todo o Estado. De acordo com a APP-Sindicato, o salário médio do professor que ministra 20 horas aula por semana está em R$ 275,00, enquanto que o funcionário que não integra o corpo docente recebe em média R$ 138,00, para 40 horas semanais.
Os integrantes da marcha dormiram ontem em Campo Largo, de onde seguem hoje até a Igreja da Orleans, já na entrada de Curitiba. Na quarta-feira eles pretendem acampar em uma área do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Telecomunicações do Paraná (Sintel), nas proximidades do Cemitério Municipal. Na quinta-feira pela manhã, em companhia de outros servidores da educação, eles fazem um ato na Praça Santos Andrade, de onde devem seguir para a Assembléia Legislativa. A intenção é reunir pelo menos cinco mil pessoas no protesto.





