Professores pressionam o governo
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de julho de 2000
Michele Muller De Curitiba 
Os professores da rede estadual de ensino continuam pressionando o governo a cumprir com os acordos definidos durante a paralisação da categoria. Eles (o governo) estão achando que somos crianças, reclamou o presidente da Associação dos Professores (APP-Sindicato), Romeu Gomes de Miranda. Segundo ele, não houve negociações e nem explicações da Secretaria de Estado durante a reunião realizada na noite de quinta-feira com a secretária Alcyone Saliba, da Educação.
Saliba já avisou os professores que haverá novos encontros a partir desta semana. Eu apenas quis mostrar ao Miranda que estou disposta a ter relação também pessoal e não apenas institucional. Quis ter certeza de que todos irão agir com boa vontade, disse Saliba. A categoria quer saber por que não consta no pagamento equivalente ao mês de junho o reajuste prometido pelo governo, que deveria variar de 5% a 30%, de acordo com o nível de cada professor.
Ou eles não tinham se qualificado para o avanço, ou deve haver outro ruído, ou estão achando que o governo pagaria o reajuste de maio, abril e de outros meses de uma vez só, justificou a secretária. Mas foi esse o combinado. No acordo diz que o pagamento seria retroativo a outubro de 99, reagiu Miranda. Os sindicalistas também estão indignados com a decisão da secretaria de promover mais um concurso pela Paraná Educação. Uma das conquistas da greve tinha sido a suspensão dos concursos atrelados à paraestatal. Tudo bem chamar aqueles que já foram aprovados, mas a admissão de mais professores pela Paraná Educação não podemos aceitar, disse Miranda.
A secretária argumentou que a paraestatal será reavaliada até o final do governo Lerner, mas em momento algum foi decidido que não haveria mais concursos. Existe um déficit crônico de professores em determinadas áreas e não existem concursados disponíveis. Por isso iremos contratar provisoriamente algumas pessoas por meio de processos simplificados.
Se essas questões não forem resolvidas nas próximas reuniões, o sindicato convocará assembléia para votar a retomada da greve. Essa assembléia estava marcada para agosto e a paralisação aconteceria apenas se o reajuste salarial reivindicado pela categoria, de 41,14%, não fosse resolvido.


