Professores e servidores das universidades estaduais estiveram ontem na Assembléia Legislativa para solicitar apoio dos deputados para obterem mais recursos para as instituições no orçamento de 2002. A Comissão de Orçamento da assembléia e líderes de partidos já concordaram em apresentar emendas ao orçamento prevendo repasse de R$ 3 milhões para cada uma das seis universidades estaduais.
Como esses investimentos ainda são insuficientes para cobrir as necessidades da maioria das instituições, os deputados se comprometeram a intervir junto ao governo estadual para buscar remanejamentos de recursos. Os reitores da Universidade do Oeste (Unioeste), Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Estadual de Maringá (UEM) também reuniram-se ontem à tarde com o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, para discutir uma saída para a falta de recursos.
O caso mais grave é da Unioeste. O orçamento 2002 prevê repasse de R$ 47,7 milhões. ''Nós precisamos de R$ 104,6 milhões para custeio, pessoal e investimentos em 2002, o que significa que ainda faltam R$ 57 milhões'', diz o professor e integrante do Comando de Greve, Luiz Fernando Reis. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), de acordo com o reitor Pedro Gordan, a situação é mais tranquila. ''Precisamos de R$ 5 milhões para custeio, mas só saíram R$ 2 milhões. Por isso ainda estamos batalhando por mais R$ 3 milhões'', disse.
Na reunião, o deputado Cesar Silvestre (PPS) alertou o comando de greve sobre a dificuldade de obter a verba via emenda dos deputados. Regulamento interno prevê que cada deputado tem direito a apresentar emendas com valor máximo total de R$ 1,5 milhão. ''Nem se os oito deputados da região oeste se comprometessem a dirigir todas as emendas para a Unioeste conseguiríamos os recursos'', disse Reis.
Além de conversar com integrantes da Comissão de Orçamento, os grevistas também se reuniram à tarde com o presidente em exercício da assembléia, deputado Élio Ruch (PFL). Os professores e servidores têm pressa em negociar uma solução para o impasse. O prazo para que os deputados apresentem emendas ao orçamento termina na próxima sexta-feira, dia 23.
Desde o início da greve o governo nega-se a apresentar uma proposta de reposição salarial. A categoria reivindica reposição de 50,03%, regularização dos cargos, cuja contratação foi considerada ilegal pelo Tribunal de Contas do Estado, a realização de concurso público e a revisão do redutor salarial, que compromete os salários dos aposentados.
A proposta orçamentária do governo para 2002 é de R$ 10,6 bilhões. Deste total, R$ 408 milhões são para investimentos. O governo alega, no entanto que R$ 258 milhões deste montante estão incluídos na fonte de número 25, ou seja, de venda de ativos, que inclui a Copel. Como a estatal não foi vendida, o governo afirma que dispõe apenas de R$ 150 milhões para investimentos.

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