Curitiba Professores e funcionários de escolas estaduais de todo o Estado realizaram ontem um dia de paralisação para pressionar o governo a atender as reivindicações da categoria. Servidores de todo o Estado se concentraram na praça Santos Andrade, área central, de onde saíram em passeata até o Palácio Iguaçu na maior manifestação do funcionalismo no governo Roberto Requião (PMDB). O Sindicato da Associação de Professores do Paraná (APP-Sindicato) afirma que mais de cinco mil pessoas participaram da passeata, que congestionou o centro da Capital. A Polícia Militar (PM) estimou em pouco mais de 2,5 mil os manifestantes.
A categoria, entretanto, saiu sem uma resposta sobre o reajuste salarial de 91%, principal ponto da pauta de reivindicações. A diretoria do APP-Sindicato recebeu dos secretários Maurício Requião (Educação), Caíto Quintana (Casa Civil), Eleonora Fruet (Planejamento), Heron Arzua (Fazenda) e da diretora-geral da Secretaria da Administração, Maria Marta, pedido para que a discussão sobre o salário seja adiada para o dia 1º de julho.
''É claro que não ficamos contentes. Esperávamos uma resposta imediata quanto ao aumento dos salários'', afirmou o presidente do APP-Sindicato, José Lemos. ''A negociação com o governo está caminhando em todos os pontos da pauta, exceto na questão salarial.''
O governo, entretanto, não considera 1º de julho a data-limite para a definição do reajuste. ''(A reunião) não implica que neste dia apresentaremos uma data ou índice de reajuste'', disse Quintana, por meio da assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu.
''O orçamento está comprometido e não é possível estabelecer um prazo agora para esta reposição salarial. Existe uma possibilidade, mas que só poderá ser colocada à categoria depois de um estudo criterioso'', disse Arzua, também via assessoria de imprensa.
A APP calcula que a manifestação atingiu as 2,2 mil escolas estaduais do Paraná. ''Nossa estimativa é de que 80% da categoria parou hoje (ontem)'', disse Lemos. A Secretaria da Educação apontou que 1,1 milhão de alunos ficaram sem aulas.
O governador ameaçou descontar o dia de trabalho de quem participou da negociação e ainda suspender a gratificação de R$ 100 do magistério, ainda não incorporada à folha de pagamentos. Para Lemos, o governador não teria motivos para fazer essas ameaças, uma vez que a categoria já assumiu o compromisso de repor o conteúdo das aulas que deixaram de ser realizadas ontem.

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