Giovani Ferreira
De Curitiba
A Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) pretende reunir 10 mil pessoas em uma manifestação que será realizada hoje em todo o Estado. Devem ocorrer protestos nas principais cidades do Paraná. A grande concentração será na Praça Santos Andrade, em Curitiba, a partir das 9 horas. Professores, pais, alunos e professores da rede estadual de ensino seguem em passeata até o Palácio Iguaçu, onde uma comissão do sindicato vai tentar ser recebida pelo governador Jaime Lerner.
De acordo com Romeu Miranda, presidente da APP-Sindicato, a maior parte das escolas estaduais de todo o Paraná deve aderir ao protesto. A orientação da entidade é de que professores e alunos não vão para a sala de aula durante todo o dia de hoje. Miranda acredita que a adesão ao movimento no Paraná deve ser de no mínimo 80%.
O sindicato garantiu ontem que devem chegar a Curitiba 50 ônibus com professores, vindos de várias regiões do Estado. Levando em consideração que cada veículo transporta aproximadamente 40 pessoas, somente do interior devem participar em torno de 2 mil manifestantes, organizados pelas principais regionais da APP como as de Ponta Grossa, Londrina, Maringá e Cascavel.
Entre as reivindicações da classe está uma reposição salarial de 35%, referente ao repasse da inflação entre os meses de agosto de 95 e agosto de 99, período em que o governo não efetuou nenhum reajuste aos professores. Os manifestantes também vão aproveitar a oportunidade para cobrar do governo o pagamento dos hospitais, que deixaram de atender pelo Instituto de Previdência do Estado (IPE) prejudicando mais de 400 mil pessoas entre servidores e dependentes.
Os professores também lembrarão o incidente ocorrido em 30 de agosto de 1988, quando uma manifestação da classe foi reprimida com a tropa de cavalaria da Polícia Militar, em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba. Na época, eles protestavam contra a política de educação do então governador Álvaro Dias. Segundo Miranda, os manifestantes vão lembrar o desrespeito do governador da época e solicitar um diálogo maior com o atual governo.
A APP-Sindicato acredita que o protesto terá grande adesão. Na avaliação de Miranda, a falta de atenção ao setor educacional não está prejudicando somente os trabalhadores, mas já atinge os alunos da rede pública, com queda na qualidade do ensino. Um dos exemplos é o ensino supletivo, que está com sua carga horária reduzida desde o início do ano, comprometendo o conteúdo do aprendizado e ameaçando a demissão de professores.
Na sexta-feira, a assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu informou que o governo não deve conceder nenhum reajuste. De acordo com a assessoria, diante das dificuldades financeiras do Estado, este não seria o momento para aumento salarial. A preocupação do governo estaria principalmente em garantir a manutenção do emprego dos servidores.

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