Das 79 escolas municipais de Londrina, 36 contam com quadras esportivas cobertas. Nas outras, professores e alunos são obrigados a improvisar para ter aulas de Educação Física e se esconder do sol ao mesmo tempo. Com o intuito de amenizar os efeitos dos raios solares, a administração municipal está distribuindo protetor para os profissionais da área. O problema é que o método de distribuição está sendo alvo de críticas dos professores. De acordo com um profissional, que preferiu não ter a identidade divulgada, ele e alguns colegas estão receosos em usar o produto, uma vez que não teriam recebido informações básicas, como o fator de proteção e possíveis contra-indicações do protetor solar.
A professora explicou que o produto está sendo distribuído em garrafinhas plásticas fornecidas pelos próprios mestres. Ela disse ainda que o sistema de distribuição para os agentes de controle da dengue estaria sendo feito de forma adequada, o que seria ''injusto'' com os profissionais da educação.
O diretor administrativo da Secretaria Municipal de Educação Jair Ramos explicou que a ''burocracia necessária'' impediu a compra anteriormente. Por isso, o setor aproveitou a aquisição feita pela pasta da Saúde para obter o produto. O filtro solar vem em galões de quatro litros e depois são repassados tanto para os professores quanto para os agentes de controle da dengue.
''É uma loção cremosa, de odor agradável e coloração natural. Talvez o que tenha faltado seja uma conversa com os professores. Uma etiqueta poderá ser feita futuramente para resolver isso'', afirmou. Segundo ele, o produto tem prazo de validade até o início de 2009. A secretaria informou também que a cobertura das quadras de 24 escolas municipais estão em fase de licitação ou com as obras em andamento.
Enquanto isso, a professora entrevistada pela reportagem garante que não vai arriscar-se a usar o filtro. E continuar gastando cerca de R$ 50,00 para proteger-se dos efeitos nocivos dos raios solares.
Validade - Para o dermatologista Airton dos Santos Gon, os professores deveriam receber as informações sobre o fator de proteção e o prazo de validade. Outros dados também são importantes. Ele explica que uma pessoa com pele oleosa, por exemplo, não deve utilizar um filtro oleoso sob risco de surgimento de cravos e espinhas.
Conhecer o fator de proteção é essencial para que o uso seja adequado, uma vez que os números menores exigem maior frequência na aplicação. Principalmente, para quem tem pele mais clara. ''Já as possíveis reações alérgicas não são tão comuns'', declarou.
Gon acrescentou que a proteção deveria ser estendida aos alunos, já que as crianças têm pele mais sensível que os adultos. Por isso, mesmo com um tempo menor de exposição ao sol, o risco de desenvolver doenças é maior. Ele acrescentou que o uso de nenhum protetor é suficiente para descartar outros cuidados, como roupas adequadas, óculos e chapéu. O horário de exposição - sempre antes das 9 e depois das 26 horas - também deve ser respeitado.

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