Professores marcham por reajuste salarial
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terça-feira, 30 de agosto de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba Cerca de 5 mil professores e funcionários da rede estadual de ensino participaram ontem de um protesto em Curitiba por melhores condições salariais. Os professores reivindicam uma reposição salarial de 48,08%, além de um plano de cargos, carreiras e salários (PCCS) para os funcionários das escolas públicas. A categoria também exige a aplicação de 25% do Orçamento na educação básica.
A manifestação dos professores é realizada anualmente no dia 30 de agosto, data em que a categoria foi agredida pela Polícia Militar em um protesto durante o governo Alvaro Dias (PSDB), em 1988. Embora a secretaria de Educação afirme que as aulas ocorreram normalmente em algumas escolas, a APP afirma que os 2,1 mil estabelecimentos de ensino do Estado paralisaram suas atividades ontem.
Os professores marcharam da Praça Santos Andrade até o Centro Cívico, onde representantes do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) encontraram-se com o secretário estadual de Educação, Maurício Requião. Em seguida, os docentes e funcionários seguiram para a Assembléia Legislativa.
De acordo com o presidente da APP, José Lemos, o salário dos professores é defasado em comparação com os demais servidores do Estado em 48,08%. ''Se compararmos o salário dos professores que tem jornada de 40 horas com outros servidores que também tem curso superior, verificamos que os docentes estão sendo prejudicados'', afirmou Lemos.
A APP também reivindicou a criação de um PCCS para os demais funcionários da rede estadual de ensino. ''A faxineira da escola recebe menos que uma faxineira que atende outras secretarias. Isso porque não temos um plano de carreira para os funcionários, que não recebem gratificações percebidas em outros setores do poder público'', salientou o presidente da APP.
O discurso de Lemos foi duramente criticado pelo deputado estadual Antonio Anibelli (PMDB), que considerou a manifestação eleitoreira. A APP tem eleições internas marcadas para o dia 22 de setembro. ''Vir aqui pedir aumento às vésperas da eleição da APP é uma demagogia. O governador Roberto Requião (PMDB) é sério, e recentemente concedeu um plano de carreira para os professores. Vocês já estão aqui pedindo aumento de novo, sem nem pensar nos demais servidores que também tem salários defasados. Vocês deviam estar na sala de aula dando aula para os nossos filhos'', atacou Anibelli, que foi vaiado pelos manifestantes no plenário da Assembléia.
Já o secretário Maurício Requião preferiu ser mais diplomático no trato com os professores. ''O tempo da intransigência terminou. Agora estamos vivendo um novo tempo, em que o respeito é a marca do relacionamento entre o poder público e a sociedade'', afirmou Maurício, que lembrou que o governo estadual realizou recentemente concurso para regularizar a situação dos professores que atendiam às escolas no regime da CLT.
Uma nova reunião entre governo e professores foi marcada para o dia 12 de setembro, quando o governo deve sinalizar com a possibilidade de atender às reivindicações da APP. Depois disso, o sindicato realizará uma série de assembléias regionais até o encontro estadual no dia 1º de outubro, quando uma posição em relação a contra-proposta deve ser tirada.


