Professores lutam por salários
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quarta-feira, 28 de junho de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Os professores das instituições estaduais de ensino superior estão mais uma vez em campanha por reposição salarial. Eles argumentam que apenas para repor as perdas acumuladas nos últimos anos seria necessário um reajuste de 88%. O cálculo foi feito pelo Comitê do Ensino Superior Público do Estado do Paraná, com base no Índice do Custo de Vida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
Segundo a presidente do Sindicato dos Professores da Universidade Estadual de Londrina (Sindiprol), Inez Almeida, o governo aumentou os investimentos na parte física, mas não adianta ter estrutura se não há professores dispostos a trabalhar. ''Há 20 anos, um professor recém-contratado ganhava o equivalente a R$ 4 mil. Hoje, os salários dos docentes chegam a ser inferiores aos de técnicos-administrativos'', compara.
''É uma reivindicação justa, e estamos abertos não só para receber o Sindiprol, mas também para unir forças para viabilizar o aumento o mais rápido possível'', declara o reitor da UEL, Wilmar Marçal. Ele acredita, porém, que a legislação eleitoral deve fazer com que a reivindicação seja atendida apenas em 2007. ''Leva-se 20 anos para preparar um professor doutor, e acredito que o governo tenha interesse em incentivar a permanência destes profissionais na universidade, suprimindo essa defasagem salarial. O docente é um patrimônio da instituição''.
Mais do que quase dobrar o salário base de R$ 960, o valor do reajuste pleiteado pelos docentes significa uma tentativa de voltar a ter condições de realizar cursos de atualização, participar de congressos, desenvolver mais pesquisas, assinar revistas especializadas e outras atividades necessárias para manter e até melhorar a qualidade do ensino. Para alguns professores, significa também a possibilidade de voltar a ter algumas facilidades, como internet rápida, tevê a cabo e até a assinatura de um jornal diário. É o caso de José Lopes, professor de zoologia do Departamento de Biologia Animal e Vegetal, que abdicou dessas três coisas nos últimos tempos, mas comprou um computador para deixar em seu laboratório.
O professor, que dá aulas na UEL há quase 30 anos, lembra-se da época em que o valor de cinco salários seus eram suficientes para comprar um carro novo. ''Na época, eu integrava três sociedades, assinava revistas e comprava livros da área. Hoje, raramente eu consigo comprar um livro. Se não fosse a internet, não sei como eu faria'', lamenta.
Esse é um problema comum em todo o campus. No departamento de Engenharia Elétrica, por exemplo, o mestrado perdeu sete dos 11 professores doutores por causa do salário. ''Só não fomos mais prejudicados com isso porque tivemos o retorno de quatro docentes que concluíram o doutorado, e pegamos outros dois doutores emprestados dos cursos de Matemática e Ciências da Computação'', ressalta a professora Silvia Galvão de Souza Cervantes, chefe do departamento. ''Quem ficou, redobrou o trabalho para manter a qualidade'', completa Maria Bernadete de Morais França, coordenadora do colegiado do curso.


