Londrina

Milton DóriaManifestação de servidores no Calçadão de Londrina criticou LernerO Dia de Protesto contra o governador Jaime Lerner (sem partido), promovido ontem em todo o Paraná pelo Fórum das Entidades Sindicais dos Servidores Públicos do Paraná (Fesspp), realizou pela manhã no Calçadão (área central) de Londrina uma pequena manifestação liderada pela Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato). O protesto contou basicamente com a presença de professores e alunos do 1º e 2º graus, além de alguns diretores de outros sindicatos de funcionários públicos estaduais.
Eles reivindicam o fortalecimento e a melhoria na qualidade dos serviços públicos prestados à população, reajustes salariais que variam entre 27 e 80% - dependendo da categoria, tempo de serviço e nível de enquadramento de cada servidor -, fim das consultorias externas e da terceirização já implantadas em várias secretarias, pagamento das dívidas trabalhistas (os chamados precatórios), redução dos cargos comissionados e criação do Fundo de Previdência dos Estado com participação dos sindicatos.
Faixas, cartazes e panfletos expostos e distribuídos criticavam Lerner pela privatização dos serviços públicos, pelo arrocho salarial imposto a 27 mil funcionários - que tiveram o último reajuste em agosto de 1995 -, e ‘‘falta de consideração’’ para com os servidores. Em um dos cartazes, a cabeça do governador aparecia acoplada ao corpo do ‘chupa-cabras’, e o texto dizia que Lerner é o sangue-suga do funcionalismo.
O principal eslogam usado pelos manifestantes foi ‘‘Aos amigos do governador, o Estado de Graça; aos servidores públicos, o Estado Crítico.’’ Os documentos distribuídos pelo Fesspp denunciaram que o governo Lerner aumentou em 137% os salários dos cargos comissionados, criou 523 novos cargos de confiança, reajustou em 242% os vencimentos dos secretários estaduais, gastou mais de R$ 100 milhões em propaganda e concedeu anistia fiscal de aproximadamente R$ 1 bilhão a cerca de 500 grandes empresários.
Ao mesmo tempo, segundo os servidores, para eles o governo arrochou os salários, cortou direitos trabalhistas, piorou as condições de trabalho, não recuperou as perdas salariais, não implantou o plano de carreira e cargos, não pagou os precatórios e não cumpriu as promessas da campanha eleitoral. Uma faixa da APP-Sindicato era direta e ameaçadora: ‘‘Lerner: nas eleições de 94, fomos 100% enganados. Nas eleições de 98, o troco será dado.’’

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