Professores jejuam para pressionar
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de junho de 1998
Albari RosaNove professores vão passar 24h apenas tomando águaAnna Camanducaia 
Nove professores do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet-PR) iniciaram greve de fome ontem, às 11h, em Curitiba. O jejum é feito em apoio aos professores que estão sem comer há dez dias, em Brasília, e uma forma de pressionar as lideranças na data prevista para a votação do projeto de lei apresentado pelo governo. Os professores terminarão o jejum hoje às 11h. No Cefet de Pato Branco, 12 professores também fazem greve de fome por 24 horas.
O fim da greve nas universidades federais, que já dura 70 dias, depende do que for decidido pelo Congresso Nacional, segundo o presidente do Sindicato dos Professores do Cefet-PR, Ivo Pereira de Queiroz. Os professores enviaram ao governo, através do Sindicato Nacional dos Docentes (Andes/SN), um projeto alternativo que propõe a universalidade do reajuste, que pode chegar a R$ 48,65%, dependendo da categoria. Queremos incluir professores de 1º e 2ª graus, aposentados e pensionistas no reajuste, afirmou Queiroz.
A professora aposentada Maria Luiza Domingues, 50 anos, está participando da greve de fome pois diz não achar justo o descaso do governo. Lutei a vida inteira achando que receberia salário integral. Quando chego no final da corrida, não tenho mais o direito? perguntou.
Os professores querem ainda o preenchimento das vagas e o fim da premiação dos professores que trabalham em sala de aula, com base na produtividade. Se houver aprovação do projeto do governo, haverá desprezo pelas áreas de pesquisa e extensão, disse Queiroz. Isso trará prejuízos para a Ciência e a Tecnologia e fará com que o Brasil fique mais dependente ainda.
Três professores, dos 18 que participam da greve de fome em Brasília, passaram mal na última terça-feira, porque estavam com baixa taxa de glicose. Um deles era o professor do Cefet de Pato Branco Nelson Doki, 50 anos.
áJá o jejum dos 30 agricultores familiares do Paraná acabou na terça-feira, ao meio-dia. Eles haviam iniciado a greve de fome na manhã da segunda-feira, 22, em frente à Catedral, para protestar contra o pacote agrícola anunciado pelo governo federal. Segundo Marcos Rochinski, dirigente da CUT, se não houver mais apoio ao agricultor, novas manifestações serão feitas.


