Um grupo de 200 professores comandados pela APP-Sindicato invadiu no final da tarde de ontem o plenário da Assembléia Legislativa. A invasão ocorreu minutos depois de a sessão ter sido derrubada pela pela bancada governista. Os deputados que dão sustentação ao governo adiaram pela terceira vez a votação do requerimento de regime de urgência do projeto que revoga as regras para a eleição de diretores de escolas da rede pública. Assim que a sessão foi dada como encerrada, por falta de quorum, os professores deixaram as galerias rumo à liderança do governo e, em seguida, invadiram o plenário.
A invasão foi pacífica. O momento de maior tensão foi quando os professores trombaram com um grupo de representantes de associações de pais e mestres que defende as regras baixadas pelo governo. O grupo alega que três professores e uma representante da Associação de Pais de Toledo teriam ficado feridos. A APP negou uso da violência.
Durante a sessão, o deputado Waldyr Pugliesi (PMDB), líder da oposição, acusou o governo de financiar a vinda dos pais de alunos do Interior do Estado. O líder do PMDB na Assembléia, Nereu Moura, disse que hoje apresenta pedido de informações para apurar o uso indevido do dinheiro público. Líderes das associações de pais negaram ontem a cooptação. Eles admitem que o governo bancou o transporte, porém para participarem, no domingo, de um seminário sobre ''gestão compartilhada''.
Por volta das 19 horas, uma comissão de professores reuniu-se com o líder do governo na Casa, Durval Amaral (PFL). Para desocuparem o plenário, os professores colocaram como condição a suspensão da eleição de diretores, a retirada do projeto de lei 411, que dá abertura para o governo contratar pelo regime CLT, e a indicação do índice de reajuste salarial. Os três itens fazem parte da pauta de reivindicações da categoria, que está em greve. Governo e professores não chegaram a um acordo. Os professores prometiam passar a noite no plenário. Hoje, às 9 horas, eles se reúnem novamente com Amaral, que ficou de levar as reinvidicações ao governo. A única garantia dada -a mesma apresentada semana passada pelo chefe da Casa Civil, Alceni Guerra (PFL)- foi a retirada do projeto 411.
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), intermediou as negociações. ''A Casa é do povo. Se não estragarem nada tudo bem. Caso contrário entro na Justiça.'' Esta é a segunda vez em pouco mais de um mês que o plenário é invadido. A primeira foi na discussão da venda da Copel.
A secretária de Educação, Alcyone Saliba, criticou a APP. Afirmou ainda que o ato da invasão não mudará em nada a forma como o govero conduz o processo.(Com Carmem Murara e Rosana Félix)

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