Professores da rede municipal de ensino de Curitiba estão recebendo treinamento vocal para melhorar o desempenho nas salas de aula e evitar problemas de voz, muito comuns na categoria. A primeira turma, com 60 professores, teve ontem a primeira aula com a fonoaudióloga especialista em voz Cida Stier, contratada para o trabalho.
A preocupação com a voz dos professores é justificada por um dado recolhido pelo médico otorrinolaringologista Evaldo Macedo Filho. No trabalho de avaliação dos professores recém-contratados ou que mudam de padrão, ele constatou que 25% apresentam alterações de voz, produzidas principalmente por rouquidão, fadiga vocal ou esforço ao falar.
Na maioria das vezes, os problemas são diagnosticados mas não chegam a ser tratados. O resultado é que muitos professores com alterações de voz ficam afastados da sala de aula, às vezes por longos períodos. ‘‘E isso tem um custo para o município’’, afirma Cida Stier. Segundo ela, as alterações de voz também interferem de forma negativa na aprendizagem dos alunos.
A fonoaudióloga diz que boa parte desses problemas poderia ser evitada com técnicas vocais simples, que tomam pouco tempo, e com medidas como tomar muita água. As técnicas são ensinadas durante o treinamento, que dura sete horas. ‘‘O objetivo é que os professores transformem os exercícios vocais num hábito, passando a usar a voz de forma adequada’’, diz Cida.
Cada professor passará também por uma avaliação individual, a partir da gravação de sua voz e análise acústica em laboratório. A intenção é encaminhar as pessoas com problemas para tratamento fonoaudiológico.
O programa prevê a avaliação e treinamento vocal dos 6.500 professores da rede municipal, nos próximos dois anos.

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