Professores fazem protesto por salários
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quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Maurício Borges Apucarana 
Odair StraliottiManifestaçãoPasseata terminou na frente da prefeitura, onde o grupo foi recebido por secretáriosCerca de 250 professores municipais saíram em passeata ontem à tarde pelas ruas centrais de Apucarana protestando contra o atraso no pagamento de salários. O grupo, liderado pela presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Elizabete Costa de Sousa, encerrou a manifestação na frente da prefeitura, onde permaneceu concentrado até que uma comissão fosse recebida pelos secretários de Educação, Sérgio Luis Barroso, e de Finanças, Nicola Mareze.
O protesto e indicativo de greve foi aprovado em assembléia realizada no dia anterior, no auditório do Sindicato dos Bancários de Apucarana e do Vale do Ivaí. Os professores reclamam do atraso no salário de setembro e reclamam que não está sendo cumprido o acordo firmado com o prefeito Carlos Scarpelini (PPB), que previa o parcelamento dos meses de junho e julho.
Na reunião com os secretários de Educação e de Finanças, a presidente do sindicato e uma comissão de professores anunciaram a disposição da categoria de deflagrar greve por tempo indeterminado, caso não fossem regularizados os salários em atraso.
No encontro com a comissão, os dois secretários explicaram as dificuldades financeiras da prefeitura e reiteraram o compromisso de dar prioridade ao pagamento dos salários. Os recursos estão sendo disponibilizados para o pagamento de salários, mantendo-se apenas uma reserva para serviços essenciais, frisou o secretário de Finanças.
Porém, as explicações e argumentos apresentados depois em uma nova reunião, no salão nobre da prefeitura, não agradaram aos mais de 200 professores. Eles decidiram abandonar a reunião, manifestando a disposição de deflagrar greve.
AcordoConforme avaliação do secretário de Educação, os professores estão se precipitando. O acordo firmado com o prefeito está sendo cumprido. Nós já pagamos a primeira parcela do acordo, que representa 15% dos salários de junho e julho. Também pagamos o mês de agosto e até amanhã concluímos o pagamento de pelo menos 45% da folha de setembro, garantiu.
Barroso explicou que desde o início do ano a prefeitura está em processo de saneamento de suas finanças e passando por uma reforma administrativa. Porém, o desempenho da receita não tem sido satisfatório. Ao contrário de outros municípios como Londrina e Maringá, que recorreram a antecipações de receita para pagar salários, Apucarana não teve acesso a esse tipo de empréstimo, argumentou.
Segundo o secretário, Apucarana está inscrita no Cadastro de Devedores Públicos (CADIP), do Banco Central, devido a empréstimos contraídos e não pagos pela administração anterior. O prefeito Carlos Scarpelini não foi encontrado ontem para falar sobre a greve dos professores municipais. Os gastos com a Secretaria Municipal de Educação, que tem cerca de 600 funcionários, representa 50% da folha de pagamento dos servidores.


