Professores fazem passeata silenciosa
Maigue Gueths
De Curitiba
Os professores estaduais resolveram manter a manifestação programada para todo o Estado ontem, mesmo com a morte do deputado Aníbal Khury. Ao invés de apitaço e gritos de ordem, entretanto, a categoria manteve-se em silêncio em frente à Assembléia Legislativa e ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, numa demonstração de respeito à morte do deputado.
Mesmo em silêncio, o protesto adquiriu grande proporção. Cerca de 1 mil professores começaram a passeata, às 10 horas, a partir da Praça Santos Andrade, mas no final somavam 3 mil docentes em frente ao Palácio Iguaçu, com a chegada de 48 ônibus do Interior do Estado.
O falecimento do deputado, mudou bastante os planos os professores. A Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) previa que a maior parte das escolas aderisse ao protesto. A orientação da entidade era de que professores e alunos não fossem para as escolas durante todo o dia de ontem. Como o governo do Estado decretou ponto facultativo, ontem, em função da morte do deputado, a Secretaria de Estado da Educação não sabia precisar qual foi a adesão da categoria ao protesto. A APP-Sindicato também pretendia conseguir uma audiência com o governador, mas devido ao luto oficial desistiu da idéia.
Entre as reivindicações dos professores, está o reajuste de 35%, referente ao repasse da inflação desde agosto/95 a agosto/99, período em que a categoria não teve nenhum reajuste salarial. Eles também pedem a aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários e uma efetiva valorização do ensino público. Segundo a secretária geral da APP-Sindicato, Élide Bueno, pontos importantes para a melhoria do ensino são a mudança na grade curricular do supletivo seriado e a permanência das matérias de física, química e biologia nos três anos do ensino médio, conforme a grade do ensino regular e particular.
Como é que eles querem que um aluno do curso noturno, que já tem menos chances por estar trabalhando à tarde, concorra com um da escola particular que tem todas estas matérias, questiona.
A realização da manifestação na data de ontem também serviu para lembrar o incidente ocorrido em 30 de agosto de 1988, quando uma manifestação dos professores foi reprimida com violência pela tropa da cavalaria da Polícia Militar, em frente ao Palácio Iguaçu. Na época, eles protestavam contra a política de educação do então governador Álvaro Dias. Em campanhas eleitorais, até hoje são usadas as imagens do ataque da polícia contra os professores que, então se refugiaram no prédio da Assembléia Legislativa do Paraná com o apoio do deputado Anibal Khury.A morte do deputado Aníbal Khury não impediu, mas silenciou a manifestação que reuniu 3 mil professores em Curitiba
José SuassunaNa RuaEm Curitiba, cerca de mil professores iniciaram a passeata pelas ruas centrais da cidade até o Centro Cívico, onde pretendiam encontrar-se com o governador Jaime LernerJosé SuassunaNo PalácioEm frente ao Palácio Iguaçu, cerca de 3 mil professores - reforçados com a chegada de ônibus do interior se concentraram em silêncio, em respeito à morte do deputado Aníbal Khury





