Professores fazem manifestação em Curitiba para pedir reajuste
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terça-feira, 23 de abril de 2002
Andréa Lombardo e Maigue Gueths Equipe da Folha 
Curitiba - Professores da rede estadual de ensino realizaram ontem, em Curitiba, mais uma manifestação para pressionar o governo a conceder reajuste salarial. Com a adesão de funcionários e estudantes, mais 23 delegações vindas de diversas cidades chegaram à Capital logo cedo. A manifestação começou com uma concentração na Praça Santos Andrade e seguiu em passeata até o Palácio Iguaçu, no Centro Cívico.
O momento mais tenso aconteceu por volta das 11 horas, quando os professores romperam um cadeado do portão, e entraram, junto com o caminhão de som, na área que cerca todo o Palácio. Houve princípio de tumulto. Policiais militares fizeram um cordão para impedir que os manifestantes invadissem o prédio. Homens do pelotão de choque também reforçaram a guarda. Durante toda a tarde, os PMs permaneceram no local isolando a entrada principal do Palácio.
Nós só vamos sair daqui com uma resposta, dizia o presidente do Sindicato dos Professores do Paraná, Romeu Miranda. Os manifestantes chegaram a montar uma barraca de madeira e lona em frente à Assembléia Legislativa, ameaçando ficar acampados no local até serem recebidos pelo governo. Perto do meio-dia ficou acertado que uma comissão com 25 professores (dois representantes da APP Estadual e um membro de cada delegação) seria recebido por uma Comissão de secretários (da Administração, do Governo, Casa Civil e da Segurança). O governador Jaime Lerner (PFL) não estava no Palácio Iguaçu.
O impasse, no entanto, persistiu. Enquanto o governo exigia que a categoria se retirasse do pátio interno para receber a comissão, os professores só aceitavam se retirar depois que houvesse negociação entre as partes. No início da noite, os professores decidiram deixar o local com a promessa de uma audiência às 10 horas de hoje com o chefe da Casa Civil, Guaraci Andrade, o secretário da Administração, Ricardo Smijtink. Os manifestantes, segundo a APP-Sindicato, passariam a noite nas barracas montadas em frente à Assembléia.
Professores e funcionários reivindicam reposição salarial de 65%, referente à inflação desde 1995, quando tiveram o último reajuste. Trabalham nas escolas estaduais cerca de 60 mil professores e 40 mil funcionários. Segundo os manifestantes, os salários dos professores variam entre R$ 253,00 pago ao professor de primário a R$ 721,00 vencimento de um profissional no último nível e com pós-graduação.
Segundo a APP-Sindicato, 80% dos professores de todo o Estado deixaram as salas de aula ontem. A Secretaria da Educação contesta os números informando que, em Curitiba, a adesão foi de apenas 21% e que no Interior as aulas transcorreram normalmente.


