O protesto realizado ontem pelos professores da rede estadual de ensino resultou em novo acordo com o governo do Estado. Em Curitiba, os manifestantes se reuniram na Praça Santos Andrade e se dirigiram, em passeata, até o Palácio Iguaçu, no Centro Cívico. Segundo a APP-Sindicato o protesto é contra o governo que não havia cumprido, integralmente, o acordo que encerrou a greve em junho do ano passado. De acordo com a APP-Sindicato, 80% dos professores do Estado aderiram à paralisação.
Segundo levantamentos da Secretaria de Estado da Educação, o manifesto não conseguiu paralisar a maioria das escolas da rede. Em Curitiba, apenas 15% interromperam suas atividades, 35% das escolas tiveram aulas normais e em 50% houve suspensão de apenas algumas aulas. Em Ponta Grossa, Londrina e Maringá, os índices de adesão foram de 5%, 30% e 8%, respectivamente. As maiores adesões foram registradas na região Oeste, que chegou a 50% em Foz do Iguaçu, Toledo e Cascavel e de 70% em Francisco Beltrão.
O presidente da APP-Sindicato, Romeu Gomes de Miranda, avaliou o manifesto como produtivo, pois acabou resultando em uma reunião que permitiu avanços nas negociações e a definição de datas para implementação de, pelo menos, 11 itens. Depois de uma tarde inteira de negociações entre representantes dos professores e o chefe da Civil, Alceni Guerra, o governo se comprometeu a rever questões que estavam gerando descontentamento entre a classe. Entre elas, a nova grade curricular que reduziu o número de horas/aula, a realização de concurso público, eleições diretas para escolha de diretores e a resolução de porte que exclui diretores, orientadores e supervisores de escolas com menos de 160 alunos.
No novo acordo o governo se compromete a realizar concurso público de provas e títulos de professores e funcionários. Os professores não querem novo concurso pela Paranaeducação, pois os contratos são temporários e não contemplam os mesmos benefícios que os feitos diretamente com o Estado. Está previsto que o edital do concurso saia até junho e a realização até outubro deste ano.
Com relação à grade curricular, ficou acertado que até agosto, as escolas terão uma nova grade de consenso. O porte das escolas vai ser revisto até o próximo dia 6 de maio. Quanto a questão salarial, definiu-se o anúncio de reposição salarial até o dia 1º de junho, depois de uma série de reuniões entre APP-Sindicato e Secretaria da Fazenda. A implantação da hora-atividade de 20% só será concedida no início do ano letivo de 2002.
A paralisação de alerta em Londrina atingiu 80% da categoria na cidade e mais de 90% na região do Núcleo, segundo informou o presidente da APP-Sindicato, Luis Martins de Lima. Ainda de acordo com ele, cerca de 800 pessoas, entre professores e alunos, compareceram ao manifesto realizado no Calçadão, em frente à agência Ouro Verde do Banco do Brasil. Para simbolizar a revolta com o governo, eles queimaram seus holerites. ‘‘São papéis que não valem nada’’, disse Lima. Apesar do desânimo, 70% dos professores do Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL) trabalharam normalmente.
Em Maringá, um ato público na Praça Raposo Tavares, centro da cidade, reuniu cerca de 300 professores e funcionários das escolas estaduais, além de estudantes. O Núcleo Regional de Educação (NRE) de Maringá informou que apenas 8% dos 2.900 servidores e funcionários da rede estadual de ensino aderiram ao movimento. Segundo a chefe do NRE, Dilce Genari, 29% das escolas tiveram paralisação parcial e 63% mantiveram normais o expediente e as atividades em sala de aula.
Em Cascavel os professores fizeram um protesto contra a privatização da Copel. Depois de se reunirem em frente à Catedral, cerca de 600 manifestantes, entre servidores estaduais, pais e estudantes, dirigiram-se à sede da Copel e deram um abraço simbólico no prédio. Em Toledo, 500 professores também se reuniram em ato público em frente à Catedral.
(Colaboraram Andréa Lombardo, Betânia Rodrigues, Lucinéia Parra e Gilmar Agassi)

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