Professores e alunos protestam no PR
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de maio de 1999
Da Redação 
O protesto de professores e estudantes convocado para ontem pela Associação dos Professores do Paraná (APP/Sindicato), denominada Escola na Rua da Escola, mobilizou a comunidade escolar de vários municípios paranaenses. Manifestações foram feitas no período da manhã e, à tarde, assembléias regionais da APP/Sindicato reuniram professores em várias localidades do Estado.
Em Curitiba, uma passeata das escolas da região Sul reuniu 800 manifestantes de quatro colégios. Eles percorreram a rua Izaac Ferreira da Cruz, a mais movimentada da região, e pararam no terminal do Sítio Cercado. Nas faixas e pronunciamentos dos manifestantes o tom comum era de protesto contra as condições físicas das escolas. Eles pediam também a revogação dos projetos Paranaeducação e Paranaprevidência, do governo do Estado.
Segundo o presidente da APP-Sindicato, Romeu Gomes de Miranda, os dois projetos são inconstitucionais e estão sendo contestados na Justiça: A Constituição Federal garante a gratuidade do ensino e o Paranaeducação entrega o ensino para a iniciativa privada. O Paranaprevidência desconta de 12% a 14% dos vencimentos dos professores e redução de salário é inconstitucional.
No colégio Xavier da Silva, na região central de Curitiba, os alunos colocaram carteiras na rua e fizeram uma passeata ao redor da escola. A maior reclamação dos estudantes e professores é sobre as péssimas condições do prédio, construído em 1903.
Em Londrina, várias escolas aderiram ao protesto adotando as formas de ação que acharam mais conveniente. O Colégio Estadual Vicente Rijo (área central) optou por enviar cerca de três mil cartas aos pais de alunos, relatando os problemas atuais no estabelecimento. Os manifestantes também foram para a rua com faixas e material informativo para a população.
Em Maringá, cerca de mil estudantes, professores e diretores de 15 colégios estaduais bloquearam a Avenida Colombo - a maior e de maior tráfego da cidade - por aproximadamente meia hora na manhã de ontem. O protesto foi encerrado na praça da Catedral Nossa Senhora da Glória.
Em Campo Mourão, cerca de 400 alunos do 2º grau do Colégio Estadual Marechal Rondon, um dos mais tradicionais da cidade, tiveram aulas na rua ontem de manhã. O presidente da APP local Amauri Ceolim disse que as escolas se transformaram em feiras livres porque precisam fazer promoções e vender rifas, doces e cachorro-quente para pagar despesas básicas. O fundo rotativo é insuficiente, faltam funcionários e as salas de aula estão superlotadas, ressaltou.
Durante o protesto, parte dos alunos assistiu aulas sentados no asfalto. Outra parte levou para a Rua Brasil, no centro de Campo Mourão, as carteiras e os materiais escolares. As salas de aula estão superlotadas e o professor acaba perdendo o controle da turma, reclamou o estudante Rafael de Oliveira Lopes, 15 anos, da 1ª série, que tem 47 alunos. O ideal seria que cada sala tivesse 35 ou, no máximo, 40 alunos, acrescentou o professor Antônio Carlos Aleixo.
A APP/Sindicato realizará assembléia estadual no sábado, em Curitiba, para analisar os resultados do movimento durante o mês de maio e decidir se os professores entram em greve. Eles pedem reposição salarial de 29,48% referentes ao índice acumulado da inflação desde agosto de 1995, quando foi concedido o último reajuste para a categoria.
O Núcleo Regional da entidade em Londrina decidiu que o momento não é oportuno para a realização de uma greve. Esta será a posição do núcleo na assembléia-geral de Curitiba. A greve é um instrumento muito importante de pressão. Mas entendemos que o momento não é oportuno, argumentou o presidente do Núcleo Regional da APP-Sindicato, Luís Martins Lima. (Participaram Áureo Osmar, Lucinéia Parra, Sid Sauer, Silvana Leão e Curitiba)


