Luciana Pombo
De Curitiba
Os servidores técnico-administrativos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) deverão aderir hoje ao dia nacional de paralisação em protesto contra o projeto de autonomia universitária elaborado pelo Ministério da Educação (MEC). Professores, estudantes e representantes da reitoria estarão participando hoje, a partir das 10 horas, no Teatro da Reitoria, em Curitiba, de uma assembléia comunitária para discutir o assunto e elaborar propostas nacionais para evitar a aprovação do projeto do governo federal.
Segundo o presidente da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR), Emmanuel Appel, a intenção é evitar que as universidades acabem ficando atreladas aos interesses do mercado. ‘‘Não podemos admitir que a concepção das universidades seja modificada e os recursos governamentais sejam cortados’’, argumenta ele. De acordo com Appel, a atual estrutura das universidades tem garantido a produção de conhecimentos e de pesquisas.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de 3º Grau Público de Curitiba e Região (Sinditest), Roseli Isidoro, o projeto do MEC não dá garantias de recursos orçamentários para as universidades, o que forçará a busca de verbas em setores privados. ‘‘Se o projeto do MEC for aprovado, fatalmente haverá redução no quadro de pessoal, diminuição da pesquisa e na oferta de vagas’’, alega ela. Outros problemas citados por Roseli na proposta governamental são o fim do plano de carreira nacional e a interferência do governo na administração das universidades. ‘‘Que autonomia é esta que retira os direitos e aumenta as obrigações?’’, questiona.
Roseli Isidoro espera que o dia nacional de paralisação consolide uma ação unitária entre todas as entidades que representem as universidades brasileiras. ‘‘Iremos discutir, tirar propostas e elaborar alternativas que serão apresentadas em outubro, no Congresso Nacional’’, diz ela.

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