Professores do Cetec estão pedindo demissão por justa causa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de março de 1997
Edmara Michetti 
Um grupo de cinco professores e uma coordenadora do Centro de Educação Tecnológica Carambeí (Cetec) estão pedindo a demissão por justa causa, legalmente denominada de despedida indireta, conforme o artigo 483 da lei trabalhista. Com isso, eles mantêm o direito de receber todas as verbas rescisórias. Assim como os outros 13 antigos professores do Cetec, eles estão sem receber os salários há quatro meses, além do 13º salário de 96, férias e abonos. O último salário recebido foi o de outubro que, segundo os professores, só foi repassado em janeiro.
Apesar das informações passadas à Folha pelo diretor do Centro, George Baum, em matéria publicada no dia 31 de dezembro, os professores afirmam que não houve acordo entre as partes. Na época, Baum afirmou que o acordo feito na semana anterior entre Cetec, professores e Sindicato de Professores de Escolas Particulares de Londrina (Sinpro), estipulava o parcelamento dos atrasados. Segundo os professores, em dezembro não houve nem mesmo reunião. O diretor nem aparece nas reuniões que marcamos, disse ontem a socióloga Maria Elisa Pacheco. Ao todo, o grupo calcula ter cerca de R$ 35 mil para receber da escola.
Duas das professoras do grupo, Maria José Dalmas Ferreira e Maria Augusta Gambarini Spagnono, não tinham outra fonte de renda, além do Cetec. Tenho dívidas, tenho que comer, reclama Maria José. Inaugurada no início de 95, o Cetec começou a atrasar o pagamento em agosto do mesmo ano, quando os salários chegavam com até 20 dias depois da data prevista. A situação, segundo as professoras, foi piorando gradativamente até que em outubro se tornou insustentável. O diretor só disse que não tinha dinheiro e também não apresentou proposta, comentou Maria Elisa.
Ao retornarem das férias, em fevereiro, os professores teriam recebido as primeiras propostas. Iniciou-se uma pressão para que nos demitíssemos, disse Maria Augusta. Como a pressão não funcionou, segundo elas, veio uma proposta verbal - redução da carga horária e do valor pago por hora/aula, sem pagar os atrasados. A redução variaria caso a caso. Os professores afirmam que o preço das aulas caíria de R$ 8,00 para R$ 6,00 ou R$ 5,00, conforme o professor. Os professores poderiam optar ainda em deixarem a escola sem receber os 40% da multa pela rescisão contratual e o aviso prévio. Não foi estipulado prazo para o pagamento do restante a que os professores teriam direito.
O prazo de 10 dias dado pelo Sinpro para a escola se manisfetar com relação ao pedido de demissão por justa causa venceu anteontem. O pedido foi homologado no dia 19 de fevereiro. Apesar das informações recebidas extra-oficialmente pelo sindicato de que a direção da escola não vai se manifestar, os professores decidiram aguardar até amanhã. George Baum não foi localizado ontem pela Folha.


