Professores discutem metodologia da não violência
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de junho de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
Formar professores capazes de incluir a paz nos currículo escolares. Esse é o desafio imposto a cerca de 40 professores da rede privada e particular de ensino e de Organizações Não Governamentais (ONGs) de Londrina que participam, durante toda a semana, de um curso de multiplicadores da paz.
Durante o encontro, promovido pela ONG Londrina Pazeando com patrocínio da Sercomtel, os profissionais discutiram a paz como conceito de transformação do meio social. ''Paz não é uma coisa metafísica. Achamos que, para prevenir a violência, temos que pôr algo no lugar dela. O contraponto da cultura de violência é a cultura de paz'', afirma a professora Sônia Passos, da ONG Educadores da Paz do Rio Grande do Sul.
A ONG gaúcha é pioneira na formação de profissionais capacitados para a cultura da paz. Uma tarefa árdua em uma sociedade onde as crianças são bombardeadas diariamente com desenhos cada vez mais violentos e onde a própria grade curricular das escolas tende a dar mais visibilidade para períodos de guerra, grandes batalhas e seus generais.
''Precisamos desenvolver professores capazes de refletir o currículo bélico e construir um contraponto e instrumentalizar referenciais não violentos'', diz. Contraponto que não restringe ao plano das idéias e, principalmente, deve invadir o espaço das ações. ''Tanto a paz como a violência são fenômenos sociais concretos. Assim como aprendemos a ser violentos, aprendemos a ter uma postura de não-confronto e aprendemos a abominar a violência'', argumenta.
Segundo ela, a preocupação com o educador da paz ainda é muito recente no Brasil. ''Ao contrário de outros países da Europa onde a discussão é antiga, aqui isso ainda é recente'', diz a professora. A ONG gaúcha, por exemplo, tem dois anos de atividade.
Professor e da coordenação do Londrina Pazeando, Amauri Pereira Cardoso afirma que a formação de profissionais mais capacitados para lidar com o tema sempre foi uma preocupação da ONG. ''Há uma propensão grande das entidades trabalharem em prol da paz, mas a nossa preocupação era como trabalhar isso em sala de aula, como desenvolver uma metodologia'', comenta. O encontro encerra neste sábado.


