Vivian de Albuquerque
Sem recreio desde o início das aulas deste ano, por indisciplina, os 1350 alunos de 5ª a 8ª séries da Escola Municipal Omar Sabbag, em Curitiba, foram tema de discussão, ontem, entre representantes de 11 escolas da cidade. A questão da falta de comportamento dos estudantes foi debatida por professores e diretores junto com o secretário municipal da Educação, Paulo Schmidt.
‘‘Cada escola lida com a questão da indisciplina de uma maneira diferente’’, explica o secretário. O cancelamento do recreio na escola do bairro do Cajuru é um dos melhores exemplos da situação quando ela atinge os limites mais extremos. ‘‘E o que queremos não é adotar a medida como um exemplo, mas buscar uma solução para a Omar Sabbag e, ao mesmo tempo, alternativas mais adequadas para as outras escolas do município que também lidam com adolescentes’’, emenda.
De início combatida, a idéia de abolir o recreio acabou sendo aceita normalmente pelos alunos. Pelo menos é o que indica um pesquisa feita com eles pelo setor de orientação pedagógica, onde o índice de alunos à favor chega aos 87%.‘‘Nós já tínhamos feito uma preparação com eles para isso’’, esclareceu o diretor da escola Evaldo Kerkoski.‘‘Chegamos até mesmo a dar um prazo para que o grêmio estudantil conversasse com os alunos pedindo uma mudança de comportamento. Mas no final eles mesmos acabaram optando por eliminar o intervalo, vendo que era impossível resolver o problema de outra maneira’’.
Pesquisando há dois anos a questão da indisciplina nas escolas públicas e particulares de Curitiba, o mestre doutorando em educação Joe Garcia elaborou um trabalho que agora deve ser usado pela Secretaria Municipal de Educação para orientar professores e diretores sobre a melhor forma de prevenir o aparecimento do problema nas escolas. Segundo ele, a indisciplina escolar dos anos 90 é muito diferente se comparada a de algumas décadas anteriores. Mais complexa e ‘‘criativa’’ ela estaria evoluindo para o que ele chama de ‘‘bagunça engajada’’.
‘‘É aquela que envolve vários alunos de uma mesma turma que combinam atitudes indisciplinadas coletivas, como gelar um professor’’, explica Garcia.‘‘E isso não tem uma causa única, mas várias causas combinadas, que vão desde o colégio até a própria casa do aluno’’. O problema, diz o professor, só é possível resolver quando houver uma distinção entre indisciplina escolar e outros fenômenos como a violência’’.
Segundo ele, o bom comportamento nem sempre é sinal de disciplina, podendo indicar apenas uma adaptação aos esquemas da escola, ou uma simples conformidade diante das circunstâncias.

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