Professores discutem a violência escolar
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Carolina Garbardo Belo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Trabalhando há 15 anos como professora e há 10 anos lecionando para 5 e 6 séries do ensino fundamental, a professora de Geografia Maria Gorete Struza, 45 anos, passou em maio deste ano por uma situação que jamais havia imaginado. Ela foi agredida por um aluno dentro da sala de aula. Casos como o de Maria Gorete têm se tornado rotina em salas de aula, e foram discutidos esta semana durante o ''Seminário sobre enfrentamento à violência e indisciplina'', promovido pelo Núcleo Regional de Educação (NRE) de Curitiba.
Segundo os professores são constantes as agressões verbais, ameaças, casos de violência física contra os educadores e entre os próprios alunos, além da destruição do patrimônio da escola. Muitos profissionais sentem-se perdidos ao se deparar com este tipo de situação, por isso o NRE tem realizado capacitações sobre o combate à violência em sala de aula. Profissionais e especialistas da área orientam os professores com base nas dificuldades encontradas pelos docentes.
Maria Gorete, por exemplo, até hoje tem dúvidas de como deveria ter reagido ao comportamento agressivo de seu aluno. Ela conta que tudo começou porque o garoto estava falando palavrões na sala. ''Pedi para parar e ele disse que eu não mandava nele. Aí mandei-o sair da sala, ele respondeu que não sairia. Quando cheguei perto para conversar, fui agredida com uma caneta no braço esquerdo, na altura do antebraço. Foi muito fundo o machucado, tenho a marca até hoje'', lembra. A professora conta que registrou queixa na Delegacia do Adolescente, mas não sabe se deveria ter ido adiante. ''Foi horrível.''
O aluno, que estuda na 5 série, continua frequentando as aulas de Maria Gorete e ela tenta manter com ele uma relação de respeito. ''Se ele me pergunta com jeito, eu respondo numa boa'', diz.
Com a professora de Português Aline Colares de Souza, 24, a agressão não chegou à violência física, mas verbal, o que ela afirma ser muito comum. ''O aluno estava atrasado para a prova, chegou chutando a porta e a deixou aberta. Pedi para ele fechar. Ele fechou, mas amassou a prova e me xingou'', conta. ''Nos mandar tomar 'naquele lugar' é a mesma coisa que dizer bom dia'', complementa.
Outro caso constante de violência que os professores convivem em sala de aula é o bullying, que segundo a psicóloga Adriana Turbay pode trazer consequências psíquicas, como a depressão ou desinteresse pelos estudos. Ela afirma que o professor pode minimizar e até mesmo evitar o bullying ao trabalhar com os alunos a diversidade.
Para o pedagogo da Secretaria de Estado da Criança e Juventude (SECJ) e vice-diretor do Colégio Estadual Helena Kolody, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), Fábio Cunha, a criação de um vínculo entre aluno e professor é fundamental. ''Todo e qualquer aluno tem potencial, até mesmo os com distúrbio de conduta. Não acredito em caso perdido.''


