Professores devem manter paralisação
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sexta-feira, 16 de junho de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
Os professores da rede pública estadual fazem hoje em Curitiba assembléia geral dando sinais de que vão manter a greve. Ontem, a direção do movimento tentou durante o dia todo conseguir uma audiência com a governadora em exercício, Emília Belinati (PTB). A intenção era forçar que ela se posicionasse sobre a paralisação, antes do retorno do governador Jaime Lerner (PFL) previsto para este fim de semana. Como não conseguiram, os coordenadores dos grevistas avisam que a tendência hoje é votar para manter os braços cruzados. A expectativa é reunir seis mil professores na assembléia geral, que ocorrerá no Colégio Estadual do Paraná.
O presidente do sindicato da categoria (APP-Sindicato), Romeu Gomes de Miranda, afirmou que o governo não cumpriu com o acordo de terça-feira passada, ao cancelar a reunião, que deveria acontecer anteontem. A quebra da palavra leva o movimento a votar pela continuidade da greve, advertiu Miranda. Porém, o secretário da Casa Civil, José Cid Câmpelo Filho, afirmou que quem está emperrando as negociações são os líderes do movimento. Os dirigentes estão querendo alterar as negociações na base da pressão e isso o governo não vai admitir, avisou Câmpelo.
O secretário afirmou que durante à tarde, os grevistas insistiram em marcar uma audiência com a vice-governadora. Se ela não nos receber, vamos procurá-la no sábado para entregar o resultado da assembléia geral, disse Romeu Miranda. No entanto, logo no início da tarde, Emília Belinati se posicionou contrária a qualquer aproximação com a APP. Ela mandou avisar que vai estar em Londrina neste fim de semana e que uma posição final sobre a greve seria dada pelo governador. Lerner assume na segunda-feira, depois de uma viagem a Nova York, nos EUA.
O presidente da APP disse que o governo passou a sinalizar que não vai cumprir pontos importantes da negociação. Gionédis (o secretário Giovani Gionédis, da Fazenda) já está afirmando que o concurso público será feito pela ParanáEducação, desrespeitando o que está escrito no acordo, reclamou Romeu Miranda. Outro ponto que ele questionou é a respeito da aposentadoria, que ainda não tem definições, e também as eleições para diretores.
Cid Câmpelo afirmou que o governo não voltou atrás em nenhuma proposta. O que foi escrito no papel não será descumprido se os professores voltarem para a sala de aula, abandonando a greve, afirmou.


