Professores denunciam desvio de verba do Fundef
Maurício Borges
de Apucarana
Um grupo de professores de Borrazópolis (60 km ao sul de Apucarana) foi recebido pelo juiz da Comarca de Faxinal, Luciano Carrasco Falavinha Souza. Mais da metade dos 56 professores municipais denunciaram que estão, em média, com com 12 salários atrasados e que o dinheiro que a prefeitura recebe do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do magistério (Fundef) está sendo desviado pelo prefeito Rodolfo Haider (PFL).
Os professores, que deflagraram greve quinta-feira, decidiram ontem aceitar a proposta do prefeito para retornar ao trabalho hoje. Pelo acordo, eles vão receber apenas o salário referente ao mês de março no dia 28. No encontro, que teve também a participação da promotora Amaralis Fernandes Picarelli, professores revelaram que, neste ano, só receberam um salário e que, apesar da gravidade da situação, não existem perspectivas para uma solução. Não há possibilidade de diálogo com o prefeito, disse uma professora, que pediu para não ser identificada.
De acordo com a denúncia, o município recebe todos os meses cerca de R$ 35 mil do Fundef. Se o prefeito não usa o Fundef para pagar nossos salários, para onde vai então esse dinheiro, questionam os professores. Segundo eles, há três meses foi encaminhada ao fórum de Faxinal uma ação coletiva pedindo o bloqueio dos recursos do Fundef para Borrazópolis. Ficamos sabendo agora que este documento estava engavetado no fórum, lamentou um dos grevistas.
A Folha tentou ouvir o juiz Luciano Carrasco Falavinha Souza, mas ele mandou comunicar que não poderia atender a imprensa porque a comarca está passando por uma correição. Já a promotora Amaralis Fernandes Picarelli mandou um funcionário do fórum dizer que não daria informações por telefone.
O prefeito Rodolfo Haider (PFL) garantiu que nunca desviou dinheiro do Fundef. Ao contrário, nós investimos mais de 30% da arrecadação do município na educação, argumentou. Segundo Haider, os recursos do Fundef são insuficientes para fazer frente às despesas do setor. Quanto aos salários em atraso, que em alguns casos chegam a acumular até 15 meses, o prefeito explicou que isso não é de responsabilidade apenas de sua gestão.





