Marcelo AlmeidaJustoAltevir Andrade: ‘‘Programa premia capacitados e acaba com outros critérios para concessão de benefícios’’Os professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) declararam estado de greve, em assembléia realizada em Curitiba, na quarta-feira à noite. A decisão foi um protesto contra a falta de reajuste salarial, que não ocorre há 1.100 dias, e marca a posição contrária dos professores à implantação do Programa de Incentivo à Docência, lançado em fevereiro pelo governo federal. Os professores marcaram uma nova assembléia para o dia 15 de março, para avaliar as negociações com o governo e optar ou não pelo início de uma greve nacional.
A tesoureira da Associação dos Professores da UFPR, Denise Maria Maia, informou que a assembléia realizada em Curitiba referendou uma decisão do congresso nacional da categoria, realizado na última semana em Porto Alegre. ‘‘Representantes de todo o País resolveram iniciar uma mobilização por um reajuste salarial de 48%, além de manter uma posição contrária à política educacional de FHC’’, disse.
O Programa de Incentivo à Docência foi criado para beneficiar os professores das instituições federais de ensino. Nesse sistema os profissionais que preencham requisitos específicos (como dedicação exclusiva) receberiam adicionais salariais, distribuídos pela coordenação dos cursos. Os profissionais com especialização receberiam sobre seus salários mais R$ 400, os com mestrado mais R$ 700, e os com doutorado mais R$ 1,1 mil.
Na visão dos professores essa proposta é discriminadora, porque exclui da possibilidade de ganho salarial os professores em 20 horas, os docentes visitantes, substitutos, afastados para pós-graduação, os de 1º e 2º Graus, e os aposentados. O sindicato da categoria garante que pelos recursos oferecidos pelo programa, apenas 60% dos doutores, 50% dos mestres e 30% dos especialistas conseguiriam o benefício.
Outro ponto de resistência ao novo projeto é a interpretação dos professores de que a verba para a realização desse programa teria sido conseguida através do corte de bolsas de estudo do Conselho Nacional de Ensino e Pesquisa (CNPQ). ‘‘Se esse projeto for à frente não vai atender a demanda salarial dos professores, além de estimular a disputa interna e a divisão da categoria através da luta pelas poucas vagas existentes, 340 para um total de 2,5 mil professores’’, disse Denise Maia.
Esta semana foram realizadas assembléias nas Universidades Federais da Ceará, Rio Grande do Sul, São Carlos (SP) e Mato Grosso, além da Escola Paulista de Medicina (SP), que já referendaram a decretação do estado de greve. Segundo os professores, a greve ainda não foi decretada porque ainda se espera negociar uma solução para o impasse.

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