Curitiba

Marcelo AlmeidaProfessores e outros profissionais da educação participam do 2º Congresso Paranaense de Instituições de EnsinoO quadro-negro poderá ser substituído pela tela do computador e os livros didáticos por programas de multimídia, mas as escolas que não investirem na formação dos professores tendem a desaparecer. Essa e outras tendências do sistema educacional estão sendo discutidas até amanhã no 2º Congresso Paranaense de Instituições de Ensino, realizado na PUC-PR.
O evento, promovido pelo Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe-PR/Curitiba), reúne 1.100 professores, pedagogos e outros profissionais ligados à educação. Além de palestras, oficinas e relatos de experiências, o congresso tem uma feira de exposições de materiais didáticos.
Para a professora Norma Godoy, especialista em Tecnologias da Educação pela Universidade da Califórnia (EUA), as escolas ainda estão baseadas em modelos antigos. Ela lembra que os conteúdos estão muito centrados nos professores, e os alunos continuam sendo vistos como pessoas obedientes e depositários de informações.
Segundo a professora, as informações deveriam estar disponíveis para todos (com o acesso à Internet, por exemplo), e o professor deveria servir apenas para orientar os alunos. ‘‘O professor que acredita que pode ser substitudo pelo computador, deve ser substituído.’’
Norma Godoy observa que o computador não pode servir apenas para repassar o conteúdo dos livros didáticos, mas deve permitir que o aluno produza e crie a partir das informações. ‘‘É preciso deixar de lado o conteúdo do livro didático e partir para o contexto das novas tecnologias.’’
Em relação à falta de recursos para a rede pública de ensino, a professora acredita que o processo de mudança é lento e que o mais importante é a ‘‘vontade de sair da acomodação e virar o jogo’’.
A professora comenta ainda que o surgimento de novas profissões também deve ser discutido em sala de aula. ‘‘O surgimento da bioinformática (com chips que utilizam DNA em vez de silício), o estudo da vida em outros planetas nos mostra que há profissões que ainda não foram inventadas ou que estão surgindo, e assuntos como esses também devem ser levados à escola.’’

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