Os professores das instituições de ensino superior privadas de Curitiba e Região Metropolitana anunciaram nesta terça-feira (25) que estão prestes a paralisar totalmente suas atividades a partir do dia 7 de outubro, por tempo indeterminado. Eles também planejam reter as notas do quarto bimestre e das provas finais, o que inviabilizaria as matrículas dos alunos no próximo ano.

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana (Sinpes), Valdyr Perrini, os docentes estão sem reajuste há 19 meses e, por isso, reivindicam aumento de 12%. "A gente está com a convenção coletiva de setembro do ano passado em vigor. O reajuste deveria ter sido feito em fevereiro, para correção com a data base do ano passado, mas temos encontrado muita dificuldade em negociar com os empregadores", argumentou.

O vice-presidente do Sinpes afirmou que inseriu na mesa de negociação a possibilidade de reajustes diferenciados para as instituições de ensino menores, que teriam mais dificuldade em absorver os aumentos, no entanto, a proposta também teria sido recusada. "A gente tentou várias alternativas para contornar a intransigência dos empregadores. Tentamos ainda aquele consenso que a emenda 45 permite, para que o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) estabelecesse esse percentual. Mas eles não negociaram nesse sentido", disse.

Outro lado - De acordo com o presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Estado (Sinepe-PR), Ademar Batista Pereira, a negociação ainda não acabou e os patrões têm todo o interesse em chegar a um acordo, porém, em outras bases. "Você há de convir que 12% de aumento com inflação de 5% é meio exagero. Nós temos uma proposta de aumento real, mas não na base que eles querem. Oferecemos 1%, que para uma inflação de 5% não é pouco", explicou.

Ele também negou que o ensino privado, como um todo, esteja passando por uma fase próspera no Paraná, o que facilitaria a concessão dos reajustes. "A gente tem hoje um crescimento de matrículas na educação básica, o que não é verdade no ensino superior. A maioria das instituições está com dificuldades sim. Há muitas vagas ociosas, inadimplência e também burocracia por parte do Ministério da Educação", explicou.

A deflagração ou não da greve será votada na Assembleia Geral da categoria, marcada para o próximo sábado (6), às 15h, na sede do SESC Centro, na capital. Na ocasião, os professores também irão decidir se vão reter as notas do quarto bimestre como forma de pressionar os patrões.

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