Professores de cursinho avaliam vestibular
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A equipe de professores de um cursinho da Área Central de Londrina visitou a redação da Folha de Londrina para fazer uma avaliação sobre o vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O teste seletivo terminou ontem com as provas de habilidade específica para cinco cursos. O grupo apontou problemas na primeira fase e elogiou o modelo da segunda.
Uma das principais queixas foi contra a distribuição desigual de questões entre as disciplinas na etapa inicial. Filosofia e Sociologia foram priorizadas em detrimento a Física e Matemática. Os professores também consideraram que a prova não seguiu os parâmetros curriculares do Ensino Médio.
''O grau de complexidade foi muito alto na Física, por exemplo. Erraram na dosagem. O que faltou foi equilíbrio'', avaliou o professor Nelson Coelho. Outra crítica foi em relação aos enunciados, considerados longos, o que tornou o teste ''cansativo e moroso'' e com rigor excessivo na linguagem em alguns casos.
''O resultado é que o modelo afetou de maneira geral tanto os alunos da escola particular quanto da pública'', opinou Ronaldo Ciciliato, que leciona Geografia.
Os professores, no entanto, foram unânimes ao elogiar a segunda fase. Segundo eles, o teste teve conteúdo mais compatível com os parâmetros curriculares e tempo mais adequado para resolução. ''Foi o único vestibular do País que teve questão abordando a CPI do Mensalão, o que prova que o teste é bem atualizado'', acescentou Ciciliato.
O resultado, segundo os professores, é que muitos candidatos com bom nível foram reprovados na primeira fase, apesar de passarem em vestibulares mais concorridos como o da Universidade de São Paulo.
O coordenador da Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops), Luís Rogério Oliveira da Silva, disse que a crítica contra a divisão desigual entre as matérias é procedente. ''A área de Humanas tem mais disciplinas e por isso, todo ano, temos essa proporcionalidade'', disse. ''E há questões que não dá nem para afirmar de que disciplina são'', acrescentou.
Silva defendeu o tamanho dos enunciados por dar oportunidade ao candidato ter mais acesso ao conteúdo, mas admitiu que pode reavaliar se o tempo da prova é suficiente. ''O que não dá é que uma determinada escola queira impor o padrão do vestibular da UEL'', criticou.
Ele considerou normal que vestibulandos reprovados na primeira fase tenham sido aprovados em universidades como a USP. ''Não há parâmetro de comparação. É natural porque são provas completamente diferentes'', concluiu.


