Londrina – Professores do Centro de Educação Infantil (CEI) Aracy Soares Santos, no Conjunto Cafezal 2, zona sul de Londrina, decidiram cruzar os braços após atrasos no pagamento dos salários referentes aos meses de março e abril. As reclamações foram registradas junto ao Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Londrina (Sinpro), que orientou a realização de uma greve por tempo indeterminado. A CEI atende 84 crianças, com turmas em período integral.
O diretor do Sinpro, Moacir Szekut, destacou que a creche filantrópica não teve o convênio renovado com a Prefeitura de Londrina. "Desde outubro do ano passado, o município cobrou documentos que não foram enviados pelos representantes da creche. A instituição estaria com a prestação de contas irregular. Os salários dos professores passaram a ser pagos com a ajuda dos pais que pagavam uma taxa cobrada pela administração da creche. Até o ano passado, eram oito professores e mais de 120 alunos. Com o tempo e as dificuldades, apenas quatro professores continuaram", explicou. Os profissionais só devem retornar ao trabalho quando os pagamentos forem efetuados.
Para a presidente da CEI, Neusa Sabino dos Santos, "há perseguição política". Ela não negou a existência de irregularidades financeiras, mas afirmou que tentou "por diversas vezes" negociar com o município. "As professoras já haviam feito dois dias de paralisação próximo à semana da Páscoa e, nesta semana, informaram em bilhete entregue aos alunos que iriam começar a greve por tempo indeterminado. Temos uma dívida de R$ 1.322 referente ao pagamento de INSS, de FGTS e de outras taxas. Temos também outra dívida de R$ 10 mil referente a funcionários contratados de forma autônoma para substituir professores que estavam em licença", comentou.
Neusa admitiu que a administração recorreu aos pais para conseguir recursos. "Após uma reunião, ficou combinado que eles pagariam uma taxa de R$ 200, mas só aqueles que pudessem pagar. Não é fácil manter café da manhã, almoço, café da tarde e jantar para todas as crianças. Se os órgãos da Prefeitura e do Estado podem cobrar uma taxa de contribuição, nós também podemos, mesmo sendo uma instituição filantrópica", argumentou.
Os gastos mensais para a manutenção das atividades, segundo Neusa, ultrapassam R$ 30 mil. "Não sei quando vamos conseguir pagar os atrasados, mas vamos fazer promoções e contamos com a ajuda da comunidade", ressaltou a presidente da CEI.
A secretária municipal de Educação, Janet Thomas, informou que houve irregularidades na prestação de contas apresentada pelos representantes da CEI. "Nós não temos a possibilidade de retomar esse convênio sem a apresentação adequada dos documentos e a aplicação dos recursos repassados conforme o plano de trabalho estabelecido", reafirmou Janet. A Secretária afirmou que as contas de 2014 do centro estão sendo auditadas pela Controladoria do município e foi constatada uma dívida de R$ 10.322 junto à Prefeitura.
"Quando constatamos as irregularidades, oferecemos a denúncia ao Ministério Público. No momento o centro não possui relação alguma conosco, pois a autorização está vencida desde o início de 2014." Entre os documentos que não foram entregues, a secretária apontou que o centro não possui o laudo de vistoria da vigilância sanitária.

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